Dream or Nightmare?
Capítulo 3:
Dentro do avião eu não sabia muito bem o que fazer. Ainda estava absorvendo a ideia de que não acordaria na mesma cama, no mesmo bairro, na mesma cidade, no mesmo país. Eu já estava começando a pirar, não sabia como minha vida iria ficar a partir daí. O pior é que minha mãe não tem muito contato comigo, ela trabalha demais e não tem tempo pra conviver com uma adolescente quase adulta. Minha mãe sempre achou que eu tinha problemas psicológicos e até me levou algumas vezes em um psicólogo, mas ele disse que era só coisa de adolescente. Sinceramente eu não acho que seja coisa de adolescente, mas se um psicólogo disse, tudo bem.
Como minha mãe não queria papo comigo, começou a ler um livro, fiz o mesmo, mas tudo que eu lia no livro parecia com a minha vida. Uma garota que é obrigada a sair da cidade que já estava acostumada a viver para voltar para uma cidade onde sofreu, sem o apoio da mãe, mas a única diferença é que ela está começando a gostar do lugar, mas eu duvido que isso vá acontecer comigo.
Terminei de ler o livro e sim, a garota viveu feliz pra sempre. Eu odeio quando isso acontece nas fábulas porque até hoje eu NUNCA vi isso acontecer com ninguém. Mas enfim, eu estava com muito sono e resolvi dormir, e como embarcamos à noite eu aproveitei, mas minha mãe não dormiu porque estava com medo de roubarem nossa bolsinha com comida. No meio do voo acordei, pois estava com um pouquinho de turbulência, mas minha mãe é desesperada e começou a chorar dizendo: " Nós vamos morrer filha, desculpa eu não devia ter aceitado o emprego". Claro que eu fiquei super nervosa com isso. E comecei a discutir com ela:
Meredith: Pode parando mãe - eu disse irritada - nós não vamos morrer aqui. Essa empresa de aviões é ótima, se você não parar de falar besteira eu vou...
Clarice: Vai o quê? - ela me interrompeu.
Meredith: Ai mãe, é só um modo de dizer, eu não vou fazer nada.
Clarice: Sei, sei, agora fica quieta que eu já estou com dor de cabeça.
Meredith: Você que me acordou, eu estava dormindo, se você não tivesse feito tanto barulho estaria tudo numa boa.
Eu já estava de saco cheio da minha mãe e de suas reclamações. Se ela parasse pra pensar um pouquinho que eu posso estar precisando dela como companheira e não com inimiga, mas não, ela só sabe reclamar de mim, das coisas que eu faço, do meu jeito de ser, da minha timidez. Reclama até das roupas que eu visto, eu só queria que ela fosse um pouco mais paciente e um pouco mais compreensiva. Queria que ela parasse pra conversar comigo. Fiquei pensando em tudo isso e me veio à cabeça duas coisas importantes: Onde nós iríamos ficar? Nós não temos casa lá. E outra coisa importante é que eu não quero trabalhar em um bar, principalmente o bar onde minha mãe será a dona.
Meredith: Mãe, onde a gente vai ficar? Nós não temos casa em Londres.
Clarice: Eu sei que não, mas nós vamos ficar em um hotel por um tempo, até eu conseguir uma casa pra nós.
Meredith: Como assim? Nós vamos ficar em um hotel? Eu não suporto nem morar em uma rua que eu não conheço, imagina ficar em um hotel que tem muito mais gente que eu não conheço.
Clarice: Pára com isso. Você é uma menina muito tímida, sua timidez chega me dá tédio. Você é tão tímida que aposto que nunca beijou.
Meredith: Como você ousa falar uma coisa dessas dentro do avião?!! - já comecei a me exaltar, não queria ficar gritando dentro do aião, mas a situação pedia isso.
Clarice: Você é muito santinha. E só pelas suas roupas dá pra notar isso. Os meninos nunca vão olhar pra você se você não usar um decote, mesmo que seja pequeno, mas essas suas camisetas são horríveis, você não fica enforcada não com essas roupas?
Meredith: Que motivo mais idiota pra implicar comigo, eu uso essas roupas porque eu não gosto de me expor. Não gosto de chamar atenção, principalmente de gente que eu não conheço. Você prefere que eu ande vestida do jeito que eu me visto ou prefere que eu ande como uma dessas prostitutas, com vestidinho curto, decote nos pés, você prefere que eu ande assim?
Clarice: Olha, eu não quero discutir com você. Fica quieta, daqui a pouco a gente chega no aeroporto e vamos para o hotel.
Meredith: Hum...
Ficamos quietas sem falar mais nenhuma palavra. Isso foi bom porque toda hora que nós conversávamos saía uma briga e todos do avião ficavam olhando pra nós duas. Eu não suporto isso, chamar atenção, odeio mesmo.
Quando chegamos no aeroporto minha mãe foi pegar uma parte das malas e eu fui ao banheiro. Fui ao banheiro e comecei a chorar, isso acontece quase todas as vezes que eu me olho no espelho, mas desta vez não era por isso. Eu estava chorando porque lembrei do meu passado terrível, lembrei de como as pessoas me tratavam de uma forma horrível. Lavei o rosto, sequei com o a folha de papel pra secar as mãos. Saí do banheiro e fui pegar o resto das malas, mas minha mãe não estava no saguão. Deduzi que ela estava lá fora me esperando. Peguei as malas e saí, sem querer esbarrei em alguém. E esse alguém era a pessoa que eu menos queria encontrar: Harry Styles, meu colega de infância.
Meredith: Ôpa, desculpa, eu não queria esbarrar em você.
Harry: Tudo bem, você estava distraída com as malas, eu entendo.
Meredith: Ahh não, não acredito nisso, eu esbarrei em você.
Harry: Pelo jeito você percebeu quem eu sou, mas por favor não grita, eu não quero chamar muita atenção hoje.
Meredith: Não se preocupe, eu não vou gritar, nem gosto de One Direction. - na hora notei que a expressão de tristeza em seu rosto mudou para de deboche.
Harry: Sério? Então como você sabe que eu sou da banda, você é uma mentirosa só porque sabe que eu não gosto quando as garotas gritam perto de mim. Você só está fazendo tipinho.
Meredith: Nada disso, eu sei porque eu assisto TV, Harry, você se acha né, agora me deixa em paz que eu quero ir pro hotel. Tchau seu chato.
Harry: Então você também sabe o meu nome. Hum, interessante. Mas me responde uma pergunta: Eu sou tão bonito e gostoso pessoalmente como as outras meninas dizem?
Meredith: Tchau seu chato, me deixa em paz.
Enquanto eu procurava minha mãe ele se foi e parou de me atordoar. Procurei ela por todos os lugares e não achei ela. Estava me sentindo sozinha (de novo) e em outro mundo. Como se eu fosse invisível. Então resolvi ligar pra ela.
Meredith: Alô mãe, cadê você?
Clarice: Eu fui embora, você demorou demais no banheiro, mas você consegue chegar aqui no hotel, eu te dou o endereço e você vem sozinha, aliás, você já tem idade pra andar sozinha.
Meredith: Eu não acredito que você fez isso, eu não acredito, como eu vou chegar aí se eu não tenho dinheiro pra pagar o táxi?
Harry: Nós podemos dividir o mesmo táxi. Mas eu pago a corrida.
Clarice: Quem está aí? Que voz de homem é essa?
