Believe It
Capítulo 23:
Acordei com a tempestade que estava lá fora. Olhei no rádio-relógio e ainda eram 03:06. Virei para o lado e vi Rita em sua cama. O abajur do criado-mudo estava acesa e ela lia uma revista. Me levantei e andei para a janela para ver a tempestade. Ventos fortes sopravam e as árvores balançavam. Raios apareciam e trovões me assustavam. Mesmo assim, continuei olhando. Era uma coisa linda de se ver.
Sentei na cama de Rita e ela colocou a revista no criado-mudo. Puxou as cobertas e eu me enfiei debaixo delas, abraçando Rita e ficando no quentinho. Já era verão mas era uma noite fria em Vernicas. Os últimos meses estavam muito frios. Não falei nada e Rita também não. Apenas a presença dela me confortava, não era preciso mais nada. Eu gostaria de ser filha dela. De qualquer forma, ela era uma mãe para mim. Eu a amava e ela me amava. Ela cuidou de mim. Ela me deu carinho. Ela era minha mãe.
Bateram na porta do quarto e corri para a minha cama, sabendo que era minha mãe. Rita se levantou e abriu a porta. Era um dos guardas. Ele entrou e fez uma reverência para mim. Fechou a porta e caminhou até minha cama.
- O que o Munfred tá fazendo aqui, Rita? - perguntei.
- Ele é meu namorado. Mas ele não veio por isso. Ele veio te falar uma coisa.
- Sim, eu vim. - Sua voz era grossa e ele era um cara bonito. - Na próxima semana a rainha estará fora. Ela vai passar a semana inteira fora do reino, vai fazer uma viagem para a Ásia.
- E...?
- Eu acho que é a chance de a senhorita conseguir ver seu amado. Eu sei que a senhorita o ama. Rita me contou. Não deixe que o amor de vocês seja atrapalhado por ninguém. O amor é uma coisa tão linda, não deixe que estraguem isso.
- Eu ainda não entendi... Sou lerda. - Comecei a achar que anos de estudo não funcionaram. - Como o Louis vai conseguir entrar aqui? Tem minha família e os guardas e criados fofoqueiros.
- É aí que ele ia chegar, Kath. - disse Rita.
- Sua mãe viajará e sua avó irá com ela. Seus outros parentes estarão na festa de casamento de Summer, representando a família, sua mãe e sua avó. Os guardas irão para protegê-los, apenas alguns ficarão no castelo. Eu serei um deles. Os outros serão meus amigos de confiança.
- Mas, e os criados? - perguntei pessimista.
- Não precisa se preocupar com eles. A rainha estará fora então eles não terão que servir ninguém, já que sua criada é Rita. Se você dispensá-los, eles irão para suas casas e o castelo ficará livre para você e seu amado.
- Mas... E se Louis não estiver disponível? - Cada vez mais pessimista.
- Ele estará. Já o comuniquei e ele concordou em vir aqui.
- Sério? Obrigada, Munfred! - Comecei a dar pulos no colchão e abracei Munfred e Rita. Estava tão feliz.
Munfred saiu e voltei a olhar a chuva. Estava mais fraca e silenciosa. Eram 04:39 quando decidi deitar. Rita já havia dormido há um tempão, mas eu gostei de ficar absorta em meus pensamentos. Me deitei e continuei acordada por um tempo, lembrando de meu futuro encontro com Louis. Meus dias de chorar estariam no fim.
Acordei 11:11 e fiz um pedido. Desejei que eu e Louis pudéssemos ser felizes juntos, sem muita interferência das pessoas. Podia parecer coisa de patricinha pensar em um final feliz, mas era isso que eu queria.
Me levantei e tomei banho. Me vesti http://www.polyvore.com/mulher_moderna/set?id=68945313 e fiquei sentada na cama, esperando Rita chegar com o café da manhã. Meu quarto estava muito quente, o sol batia nas janelas e caminhava até metade do quarto. Abri as janelas grandes e fiquei observando o jardim dos fundos. Ninguém ia lá. O lugar mais bonito do castelo. Com plantas mortas e coisas do tipo.
Rita entrou e colocou a bandeja na minha cama bagunçada. Dei um abraço nela e bebi o suco de abacaxi com hortelã que eu tanto amava. Não comi o pão porque no calor pão me incomoda. Nos sentamos no carpete e ficamos conversando por um bom tempo. Até que minha mãe entrou no quarto e expulsou Rita de lá. Rita saiu às pressas e minha mãe trancou a porta. Eu não havia feito nada de errado.
- Você não aprende, não é mesmo? - disse mamãe.
- O que eu fiz dessa vez? - perguntei com sarcasmo.
- Quem disse que você podia abrir as janelas? Eu disse que era presa nesse quarto sem nada aberto. Nada de janelas nem portas abertas!
- Mas tá um forno aqui!
- Quem linguajar inapropriado para uma princesa! E não quero saber se está calor! Você vai ficar trancada para aprender a nunca me desobedecer! Feche essa janela! Agora!
- Não. - Isso, Katherine, fique brincando com fogo!
- Não? Como assim? Você vai me desobedecer outra vez? - Ela andou até mim e me deu um tapa no lado direito do rosto e pegou meu braço. O apertou com força e cravou suas unhas em mim. - Vá fechar as janelas!
Me levantei e fechei as janelas. Ela saiu logo em seguida e Rita entrou. Rita cuidou de meus machucados no braço e mais chorava do que eu. Enfim mamãe saiu e Rita levou o tablet para nosso quarto. Entrei no Twitter e vi algumas coisas, mas não pude postar nada para não deixar nenhum vestígio de que tinha usado a internet. Liguei para Louis e matei um pouco as saudades.
- Tô ansioso pra te ver, amor! - ele disse.
- Eu também! Tô contando os dias, as horas, os minutos, tô contando tudo. Quero que seja especial.
- Eu também. Não aguento mais ficar longe de você. Foi difícil pra mim ficar longe, e em turnê...
- Amor, eu queria poder falar tantas coisas, mas não tenho tempo... - Ouvi um barulho vindo lá de baixo. - Amor, ouvi um barulho, deve ser minha mãe. Tenho que desligar. Beijos no seu bundão, tchau. Te amo. - Desliguei.
Entreguei o tablet para Rita e ela saiu do quarto. Deitei na cama e peguei meu livro O Lado Bom da Vida. Um livro inspirador, mas um dos livros proibidos de Vernicas. Mas ele estava encapado com a capa de Ladrão de Almas. Ótimo jeito de enganar minha mãe. E por falar nela, entrou a "querida".
- Hum, só queria saber se estava mesmo aqui. Lendo esse livro de novo? Não vai fazer bem para sua mente ler toda vez o mesmo livro. Bom, desde que não saia deste quarto qualquer livro está bom. Até mesmo de Sociologia.
Ela saiu e continuei minha leitura. (...) a vida não é um filme de censura livre para fazer com que a pessoa se sinta bem. Muitas vezes a vida real acaba mal, (...). E a literatura tenta documentar essa realidade, mostrando-nos que ainda é possível suportá-la com nobreza.
Fiquei a tarde toda lendo e terminei o livro no mesmo dia. Rita veio se deitar e me trouxe outro livro. Um Dia é um livro que eu sempre quis ler, mas que também era um os livros proibidos de Vernicas. O deixei no meu criado-mudo e me deitei de vestido mesmo. Não fiz questão de trocar de roupa, apenas tirei o tênis. Dormi rapidamente.

