sexta-feira, 24 de janeiro de 2014



Believe It

Capítulo 27:

  Todos tem atitudes idiotas, eu principalmente. Agora, eu não sei quem foi mais infantil: Louis ou eu. Eu realmente acho que Louis não liga pra essas coisas românticas, mas será que eu exagerei? Será que foi esse o motivo de ele ter ido embora? Eu adoraria saber.
  Rita apareceu correndo no jardim e quase me matou de susto quando gritou para que eu descesse de cima do muro. Não podia nem ler mais que já chegava alguém pra atrapalhar. Desci, relutantemente, do muro e entrei pela porta da cozinha. Fiquei prestando atenção no trabalho dos empregados. Era bom ter o que fazer.
 - Quando meus parentes voltam, Rita? - perguntei.
 - Minha querida, eles voltam semana que vem. Por quê?
  Rita parou de descascar as batatas para me observar. Tentei não dar sinal algum de minhas verdadeiras intenções. O que eu realmente queria era fugir, de novo.
 - Nada. - respondi e subi para meus aposentos.
  Tranquei a porta e troquei de roupa http://www.polyvore.com/sem_t%C3%ADtulo_267/set?id=105865777. Peguei uma bolsa e coloquei algumas roupas, uns sapatos e dinheiro. Muito dinheiro. Destranquei a porta e observei. Não havia ninguém no corredor, nem nas escadas, nem no Salão Principal. Desci as escadas correndo, tomando cuidado para não fazer muito barulho. Passei pela porta da frente e não vi nenhum guarda. Cori o máximo que pude, até chegar no muro, para depois pulá-lo. Fui até o aeroporto e pedi sigilo a Friedrich. Seguimos para o Brasil.

***
  Desembarquei no Rio de Janeiro e peguei um táxi em direção ao Copacabana Palace. Perguntei por papai na recepção e me indicaram o quarto 315. Subi até lá e bati na porta. Nada. Bati mais uma vez e pude ouvir um barulho de coisas se mexendo. Então ouvi passos. A mesma mulher da outra vez abriu a porta e fez uma cara estranha pra mim. Ela usava um roupão branco que chegava ao chão. Chamou meu pai e ele levantou do sofá onde estava, só de cueca.
 - Kath! - papai disse ao chegar na porta e me dar um abraço apertado. - Como foi que chegou aqui? O que aconteceu? Como você escapou da sua "mãe"? Você tá bem? Aconteceu alguma coisa? Entra. - Papai me empurrou pra dentro e continuou falando - Você tá com fome? Tem alguns doces aqui. Duvido que sua "mãe" deixe você comer doces. Ela tá te tratando bem ou continua te tratando mal? Ela ainda te bate? Ela sabe que você tá aqui?
 - Pai! - o interrompi - Posso falar?
 - Perdão. Pode sim, só se você sentar.
 - Certo. - Me sentei e comecei a falar - Eu fugi do castelo enquanto a família real estava fora, ninguém me viu, só Friedrich, mas eu posso confiar nele. Eu não aguento mais viver isolada, pai. Depois que eu conheci alguns lugares desse mundo enorme, me encantei. Duvido que eu consiga parar. Não consigo ficar presa. Pai, eu vi coisas horríveis. Consegui escapar ontem e vi o estado em que o reino se encontra. Está em péssimas condições. Eu fui perseguida por pessoas que acharam que a culpa era minha.
 - Espera, fala um pouco mais devagar. - Papai tentava me acalmar, mas era impossível. - Querida, faz um chá calmante pra minha filha. Por favor.
 - Claro, meu bem. - a mulher disse, e pela primeira vez ouvi sua voz maravilhosa.
 - Pai, por favor. Eu não preciso me acalmar, eu preciso ser uma pessoa normal. Eu quero vir morar com você, e trabalhar também.
 - O quê??!!! - Papai gritou - Como assim? Isso seria tão legal! Sério que você quer morar comigo?
 - Sim, eu preciso ser normal, pai.
 - Ok. Eu vou te matricular em uma escola amanhã mesmo.
 - Obrigada, papai. Te amo.
  Nos abraçamos e joguei minha mala no chão. A mulher que eu ainda não sabia o nome me entregou uma xícara de chá de camomila e outra para papai. Se sentou em seu colo e ficou me observando.
 - Ah, que falta de educação a minha. Sou Katherine Tissou Buffon Chevalier Smith, princesa de Vernicas. Mas pode me chamar de Kath. E você é...? - Estendi a mão para a mulher.
 - Meu nome é Ana Cláudia Morales, mas pode me chamar de Cláudia, a maioria das pessoas me chama assim. - Ela pegou na minha mão e me puxou para um abraço caloroso.
 - Já que todos te chamam de Cláudia, vou te chamar de Ana. - eu disse - Prefiro não fazer o que todos fazem.
 - Igualzinha ao pai. - Ana disse.
  Rimos e tomamos o chá, os três ao mesmo tempo.
  Me acomodei em uma das camas da suíte e joguei minhas coisas debaixo da cama. Minha vida de verdade estava só começando.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014



Believe It

Capítulo 26

 Um peso sobre meu corpo me despertou. Louis estava me esmagando com seu peso. Ainda estávamos no meio do mato, o sol começava a raiar, os passarinhos tinham o canto baixinho. Empurrei Louis com todo o cuidado, mas ele acordou. Estava sonolento quando levantou e me puxou para seus braços. Ficamos abraçados ali por um momento, sem dizer uma única palavra. Me soltei de seus braços, depois de alguns instantes, calcei minhas alpargatas e apanhei meu boné na grama. Andei em direção à porta dos fundos. Estava morrendo de fome. Louis me segui até a cozinha, onde Rita estava apoiada sobre o balcão, chorando.
 - O que aconteceu, Rita? - corri apressada em sua direção, para reconfortá-la.
 - Ele - ela apontou para Louis - Foi isso que aconteceu. Agora você não é mais minha menininha. Você já sabe dos pecados! - Rita começou a gritar - Deus! Por que isso tinha que acontecer?! Por que, meu Deus?!
 - Ai, Rita! - gritei - Que saco! Se eu sou sua filha, você transou! Então eu posso transar também! Fim! E eu tô com fome, quero comer ovos mexidos com pão. - Ela ia pegar a frigideira, mas me apressei - E não precisa se preocupar porque eu mesma faço. Vá descansar, você precisa.
 - Para a sua opinião, mocinha, eu não transo mais. - Rita disse e saiu da cozinha.
 - Talvez seja por isso que eu encontrei camisinhas na sua gaveta! - gritei.
 - Nossa, você sempre briga assim de manhã? - disse Louis - Porque eu me lembro de quando eu e os meninos ficamos aqui na época do seu aniversário e você brigou com sua avó e sua mãe.
 - Elas é que implicavam comigo. Mas chega de falar disso. O que a gente vai fazer hoje? - perguntei animada.
 - Você decide - disse Louis, pegando uma faca para cortar os pães.
 - Então vou te fazer uma surpresa - disse eu enquanto salgava os ovos.
  Comemos e subimos para o quarto. Ficamos sentados, conversando e trocando carícias. Relembrando a noite anterior. Nossos corpos colados um no outro, se esfregando, relembrando tudo.
  Louis desceu e ficou conversando com Rita, enquanto eu tomava banho. Me arrumei http://www.polyvore.com/sem_t%C3%ADtulo_260/set?id=105864399 e desci, enquanto Louis tomava banho. Não troquei uma palavra sequer com Rita. Eu não era a única que magoava as pessoas. Ela me magoou muito. Não custava nada ela ter me contado que era minha mãe. Muito pelo contrário, ajudaria muito na hora de passar pelo que estou passando. Louis voltou e nós saímos de fininho para nenhum dos guardas nos pegar. Tive que pular um muro e, mais uma vez, meu joelho ficou estourado e minha calça rasgou.
  Passamos na farmácia e tomei a pílula do dia seguinte. Passamos em uma lojinha e compramos um pedaço de pano preto. Pegamos um táxi, vendei Louis e fomos a caminho de nosso destino. E ele ainda não sabia qual era. Eu disse para o taxista apenas o nome da rua e ele nos deixou lá. A rua estava vazia, como eu imaginei que estaria. Guiei Louis o tempo todo. Entramos em um prédio abandonado e subimos as escadas até o terraço. Tirei a venda dos olhos de Louis e ele não entendeu.
 - Não entendi o propósito desse tempo todo que fiquei vendado. É uma pegadinha?
 - Você tem sentimentos? - perguntei sarcástica.
 - Só me explica - ele respondeu irritado.
 - Tá bom. Tá vendo esses fios com esses papéis pendurados? - Apontei para os fios acima de nós - Nesses tempos que ficamos separados eu escrevia meus pedidos e Rita trazia aqui e os pendurava. E eles se realizaram. Quer ler?
 - Não. - Louis deu alguns passos pra trás e ficou me observando - Sério que você me trouxe aqui só pra isso?
 - Bom, aqui se parece muito com o terraço da noite de Natal, lá em Londres. Tem até plantas parecidas.
 - Hum. Entendi.
 - Louis? Tá tudo bem? - perguntei preocupada.
  Seus olhos não eram os mesmos olhos que me encantaram, não estavam mais alegres. Estavam com um sentimento que eu não conseguia distinguir. Meu coração disparou ao vê-lo daquele jeito. Ele deu mais alguns passos pra trás e virou de costas para mim. Começou a descer as escadas correndo e eu corri atrás.
 - Louis! - eu gritava, mas ele parecia não me ouvir.
  Louis chamou o primeiro táxi que apareceu e me deixou lá. Sozinha. Andei até o ponto de táxi. Esperei um tempo. Nenhum táxi veio então andei pelo reino. Não conhecia o reino inteiro, por isso fiquei meio assustada com o que vi. Estava muito diferente do que costumava ver nas fotos. Estava cheio de lixo espalhado pelas ruas, pessoas morando em barracos montados na calçada, pessoas fuçando no lixo, usando drogas, paredes pichadas, prédios caindo aos pedaços... Uma podridão total! Não tinha pedaço algum do reino que fosse bonito.
 - Olha lá a princesa! - gritou uma mulher - A culpa disso tudo é dela! Peguem ela!
  As pessoas começaram a correr atrás de mim e minha única alternativa foi correr delas. Me refugiei no meio da mata e fui parar no aeroporto. Parece que toda vez que fujo de alguém eu vou parar lá. De lá, encontrei meu caminho de volta para o castelo. Meus pés já estavam doendo de correr de salto.
  Rita estava sentada na cama e nem ligou quando entrei chorando. Me joguei na cama, tirei os sapatos e me cobri. Me enfiei debaixo do edredom e só saí de lá no dia seguinte, e só porque Rita me obrigou a levantar. Desci as escadas como uma perdedora, o que eu realmente era. Louis estava no Salão Principal e quando eu passei ele puxou meu braço e me obrigou a conversar.
 - Você me deixou triste ontem, não quero conversar! Me solta! - gritei, mas foi inútil.
 - Você tá agindo como uma criança! - ele gritou de volta.
 - Eu?! EU?! Quem foi a pessoa que estragou o dia?! VOCÊ! Eu queria uma coisa romântica, e você estragou!
 - Katherine Tissou Buffon Chevalier Smith, você está sendo uma criança! Era só um lugar idiota! 
 - Lugar idiota? - Finalmente consegui me soltar de seus braços e sentar em uma das cadeiras - É isso que você acha do lugar que eu te levei? Foi apenas um lugar idiota?
 - É, desculpa, mas é a verdade.
 - Então é isso que você acha do nosso amor? Um amor idiota, que começou em um lugar idiota. Legal...
  Fui na cozinha e peguei uma pera. Andei até o jardim dos fundos e fiquei lá, até ter a paz perturbada por Louis.
 - Kath, sério, se você pensa assim, me desculpa. Mas eu não quis dizer isso. Nosso amor é importante.
 - Eu sei que você só queria transar comigo, Louis. Pode ir embora agora - eu falava e cuspia ao mesmo tempo.
 - Talvez eu vá mesmo.
  Louis foi embora no mesmo dia e eu, a pessoa mais idiota nesse mundo, fiquei sozinha, como sempre.