Believe It
Capítulo 19:
- Louis? - disse eu. - Onde estamos indo? Você vai me estuprar? Me assassinar? Arrancar meus membros? Me abandonar?
- Aff, você é problemática... - disse ele com ar distraído.
- Pode fazer qualquer coisa, menos me abandonar...
- Você não confia em mim. - Louis parou bruscamente, me segurou pelos braços, uma pegada firme, sem machucar. - Eu te acompanhei esse tempo todo e te dei todas as provas de que você pode confiar em mim, por que essa desconfiança agora?
- Eu... confio em você, Louis. Só fiquei assustada.
- Ótimo, então me acompanha antes que eu te mande calar a boca e realmente te abandone.
- Ai, ai!
Andamos e rimos o caminho todo. As ruas estavam vazias porque 1: era quase Natal. 2: estava garoando. Andamos bastante até um prédio abandonado. Entrei na frente e Louis segurou minha mão. Subimos até o terraço e andamos até o final de um corredor. Estava escuro e eu estava um pouco assustada, mas não muito, porque Louis estava comigo. Louis tapou meus olhos e me guiou. Quando ele permitiu que eu abrisse os olhos, vi que estávamos bem na beirada do terraço.
- Aaaaaahhh!!! - gritei. - Quer me matar?
- Calma, eu tô aqui. É que você disse que gosta de coisas macabras, assustadoras, sombrias, então eu te trouxe aqui. Olha lá embaixo, do jeitinho que você gosta.
Olhei para baixo e vi um canteiro com plantas mortas, tudo que eu sempre sonhei ver pessoalmente. Era lindo! A chuva parou. Fiquei segurando a mão de Louis o tempo todo, com medo de cair. Dei alguns passos para trás e olhei no fundo dos olhos de Louis. Chegou a hora de dizer toda a verdade.
Um trovão bem alto interrompeu meus pensamentos. Olhamos para o céu. Xinguei mentalmente e descemos as escadas. Descer era mais rápido do que subir. O celular de Louis fez um barulhinho de "bip" e ele olhou o SMS que tinha acabado de chegar. Era de Eleanor. Dizia: "Cadê você? Faz um tempão que você saiu e a eletricidade voltou! Vem logo pra gente cortar o bolo!"
Começamos a andar mais rápido com medo de a chuva cair. Não tinha nenhum táxi no ponto, então ficamos esperando. Esperamos 20 minutos e nenhum táxi apareceu. Resolvemos ir andando.
A chuva começou a cair, primeiro fraca, depois bem forte. Já estávamos ensopados. Começamos a correr bem rápido.
- Isso é tudo culpa sua! - gritei para Louis conseguir me ouvir através do barulho da chuva.
- Culpa minha? O que é culpa minha? - ele perguntou confuso.
- Se você não tivesse inventado de me trazer aqui, nós não estaríamos ensopados, e ainda corro o risco de passar o Natal doente!
Ele segurou meu braço para me olhar. Fiz um esforço para olhá-lo; a chuva tinha estragado meu penteado, fazendo meu cabelo todo cair no meu rosto. Me desvencilhei de seus braços e comecei a andar. Já estava ensopada mesmo. Torci meu pé e estava caindo. De algum jeito, virei e estava caindo para trás. Mas Louis me segurou, e ficamos olhando um para o outro. Os dois ensopados, ele me segurando de uma forma que me lembra filmes, olho no olho, suas mãos quentes em minhas costas. Nossos rostos se aproximando. Cada vez mais perto. Naquele momento não me importei com nada. Não me importei com o namoro falso de Louis e Eleanor, não me importei com o fato de que no dia seguinte voltaria para o castelo e ficaria trancada mais alguns anos, não me importei para o fato de estar ensopada, não me importei com minha maquiagem borrada escorrendo no meu rosto, não me importei por meu vestido curto ter ficado mais curto ainda, revelando minhas coxas grossas e um pedaço da minha calcinha. Não me importei com nada. Apenas relaxei, fechei meus olhos, e deixei Louis fazer o resto.
Nossos lábios se tocaram no exato segundo em que o relógio da rua deu sua badalada. Ótimo presente de Natal. Os lábios de Louis estavam tão quentes quanto suas mãos. Começaram fazendo movimentos suaves, depois se agitaram mais. Enquanto me beijava, suas mãos percorriam meu corpo, como se aquele fosse o momento mais importante de nossas vidas. Como se nossas vidas dependessem daquilo. Fomos interrompidos por um carro que passou em um poça e espirrou aquela água suja em nós dois.
- Filho da puta! - Louis gritou. - Vai dar o cu na esquina, mas não joga água nas pessoas! Vagabundo do caralho!
- Louis! Ele já foi. - Passei as mãos em seu peito, acariciando-o. - Vamos voltar. Eu preciso trocar de roupa, não aguento ficar ensopada. A sensação é horrível.
- Tá! Mas só porque é você. - disse e me abraçou.
Meu pé ainda estava doendo por causa da torção. Estava mancando. Louis percebeu e me pegou no colo. Eu não queria que ele fizesse isso porque tem muitas câmeras espalhadas pela rua e ele não poderia ficar com a imagem manchada, poderia prejudicar a banda; ele me pegou no colo mesmo assim e não me soltou até chegar na porta dos fundos, a porta da cozinha. Ele me colocou no chão e pegou as chaves para abrir a porta. Antes de entrarmos ele me deu um beijo caloroso, mas o empurrei.
- A gente não pode fazer isso, Louis. E o seu namoro com a Eleanor? Como fica a sua imagem e a da banda?
- Tomei uma decisão - disse ele misterioso - e você vai gostar, muito.
Me deu outro beijo, dessa vez mais rápido, e abriu a porta. Todos correram para a cozinha ao ouvirem o barulho e suspiraram aliviados. Louis me carregou até uma cadeira e explicou toda a situação para todos. Menos a parte do beijo. Ele me levou até o banheiro e pediu para que uma das meninas arrumasse outras roupas lindas para eu usar. Ele pegou minha toalha no meu quarto e esperou a banheira encher para sair.
Me despi e entrei na banheira, me apoiando nos cantos dela por causa do meu pé. Já estava um pouquinho melhor, mas ainda estava doendo. Fiquei me lembrando do beijo. Meu primeiro beijo. O selinho que dei em Marcs foi atuação. Beijo de verdade foi esse. Meu lábio no lábio de Louis, nossas línguas se encontrando, suas mãos em meu corpo...
Molhei meu cabelo para tirar a água da chuva e peguei uma toalha pequena que estava no cabide para embrulhá-lo. Nem me ensaboei, o banho foi só para dar uma esquentada. Saí da banheira e me embrulhei na toalha que Louis tinha pegado no meu quarto. Saí mancando do banheiro e quando entrei no meu quarto as meninas estavam lá.
- Gente, podem me dar licença? Preciso me vestir. - disse eu timidamente.
- Ok. - disse Camila - Mas depois você vai contar pra gente o que aconteceu. Eu sei que faltou alguma coisa na história que Louis contou. E a mãe dele ficou preocupada, você viu a cara dela quando vocês entraram. Mas a gente tá saindo. E, pra sua informação, a Normani que escolheu seu look.
Saíram e fiquei observando o look que Mani criou http://www.polyvore.com/baladinha_de_anivers%C3%A1rio_do_meu/set?id=88469279. Era perfeito, ótimo pra causar. E Eleanor ficaria babando de inveja. Meu cabelo estava úmido então prendi em um coque alto. Me arrumei e desci. Já estava conseguindo andar normalmente. Sentia umas fisgadas de vez em quando, mas nada que não pudesse suportar. E ainda consegui usar salto alto. Louis já estava pronto.
- A gente só tava esperando você chegar. - disse Zayn - Por que as mulheres demoram tanto pra se arrumar?
- Falou o mais vaidoso da banda que demora um século pra arrumar o cabelo! - disse Louis.
Nos organizamos em volta da mesa. Fiquei do lado de Louis, já que eu comprei o bolo e organizei quase tudo sozinha. Do seu outro lado estavam sua mãe e suas irmãs. Tiraram algumas fotos e me senti intrusa nelas, afinal era um momento bem familiar. O primeiro pedaço de bolo foi para a mãe dele, logicamente.
- Esse bolo é seu, mãe. - disse ele - E eu quero aproveitar que tá todo mundo olhando pra minha cara pra dar uma notícia. Eu tô terminando com você, Els. Mas ainda podemos ser amigos.
Todos fizeram um silêncio enorme, Eleanor estava enfurecida, mas as atenções não estavam nela. Estavam em mim.





