domingo, 17 de novembro de 2013



Believe It

Capítulo 24:

  Não conseguia prestar atenção na aula de História, mesmo amando a matéria. Estava totalmente ansiosa para ver Louis. Eu precisava dele. E minha mãe foi burra o suficiente para me deixar no castelo enquanto ela e o resto da família estariam fora. 
  O professor falava, falava, falava, mas eu não conseguia prestar atenção. Por mais que tentasse. What Makes You Beautiful tocou e o professor se levantou, pegou suas coisas e saiu do meu aposento. Rita guardou meus materiais escolares, mesmo sabendo que eu mesma podia ter feito, e se sentou ao meu lado. Apertou minhas mãos dentro das suas e me deu um sorriso amigável.
 - Tá tudo bem, Ritinha? - perguntei.
 - Tudo ótimo! - ela respondeu, com um sorriso maior ainda. - É só que eu fico tão feliz de saber que você está se aproximando da verdadeira felicidade. Eu... - sua voz falhou por um instante, enquanto uma lágrima ameaçou cair de seu olho. - Eu sempre achei você uma criança infeliz e depois uma adolescente infeliz. Ter a família que você tem não faria bem para você, se você não tivesse encontrado o verdadeiro amor.
 - Rita... - minha voz falhou também. - Você esteve aqui o tempo todo. Me fazendo feliz. Você cuidou de mim como se fosse minha verdadeira mãe. E como eu queria que você fosse minha mãe...
  Um silêncio reinou por alguns minutos.
  Um silêncio que estava me consumindo.
  Era raro fazermos aquele silêncio, e estava me consumindo. Como se alguma coisa estivesse errada. 
  E então Rita me abraçou e disse:
 - Eu sou sua mãe, Katherine.
 - Eu sei - disse eu. - Eu te considero minha mãe. Só não saí de você, mas de resto...
 - Você não está entendendo! - Rita me interrompeu. - Eu sou sua mãe. Sua mãe biológica.
  Naquele momento, o muro de resistência que eu havia construído nos últimos meses desmoronou. Saí do abraço e olhei no fundo dos olhos de Rita. O que eu via era culpa.
 - Como assim é minha mãe? - perguntei aos gritos.
 - E-eu queria ter contado, mas a rainha não deixou. 
  Me levantei bruscamente e fiquei andando de um lado para o outro, sentindo as lágrimas escorrerem pelo meu rosto. Meus joelhos tremiam e minhas mãos também. Cerrei os punhos e disparei um olhar assassino para Rita.
 - Por que você decidiu contar só agora?! Eu já tenho quase 16 anos! - gritei, cada vez mais alto a cada palavra.
 - Pare de gritar. Sua mãe vai ouvir. Quer dizer, a rainha vai ouvir.
 - Foda-se a rainha! Foda-se esse reino! Foda-se todo mundo! Sai do meu quarto! Agora!
 - Katherine! Que modos são esses?
 - Não quero saber! Saia, agora!
  Rita se levantou e andou em direção à porta. Parou lá e me olhou apenas para ver que eu estava apontando para a porta. Quando ela saiu e trancou a porta, desabei na cama e chorei. Chorei até não poder mais. Chorei por tudo. Chorei por estar presa. Chorei por descobrir que meu pai estava vivo e minha mãe era Rita. A pessoa que eu mais confiei em toda a minha vida traiu minha confiança e tudo que eu conseguia fazer era chorar. 
  De tanta raiva, comecei a puxar meus cabelos, esfregar as mãos no rosto e dar socos na cama. Não adiantou nada porque quando me olhei no espelho vi uma garota com o vestido amassado, maquiagem borrada e cabelo desgrenhado. 
  O problema de chorar por dois motivos é que eu sempre acabo arrumando milhares de motivos para chorar também. Comecei a botar defeitos no meu corpo cheiinho, na minha pele ressecada e manchada, nos meus pés tortos, no meu cabelo embaraçado, nas minhas unhas curtas...
  Entrei no box e liguei o chuveiro. A água quente batia nas minhas costas e aliviava um pouco a tensão. Meus músculos relaxaram e pude me arrumar para a chegada de Louis http://www.polyvore.com/sem_t%C3%ADtulo_56/set?id=86108121. Não passei maquiagem e apenas prendi meu coque desarrumado bem no alto.
  Meus familiares entraram no meu quarto para se despedirem e olhei pela janela para me certificar de que eles haviam mesmo ido embora. Rita entrou no quarto pedindo desculpas e eu fingi que tinha aceitado, apenas para botar o plano em prática. Corina, Friedrich e Munfred entraram logo em seguida. 
  Depois de algumas horas, Friedrich saiu para buscar Louis. Já estava escuro, melhor para os funcionários do castelo não perceberem tudo. Enquanto isso, Corina ficou tentando me convencer a trocar de roupa, alegando que a que eu estava usando era muito simples e que meu cabelo estava muito bagunçado. Eu disse que Louis gostava de mim assim, mas ela continuou insistindo. Não cedi e ela desistiu.
  Algumas horas depois Friedrich entrou no quarto. Sozinho. Minha animação passou.
 - Cadê o Louis? - perguntou Corina.
 - Ele não conseguiu entrar no castelo por causa dos guardas - respondeu Friedrich. - Mas eu vim buscar vocês para me ajudarem a despistar os guardas. Louis está naquele jardim que fica nos fundos. Vamos lá?!
 - Vamos - disse Rita animada. - Kath, eu sei que você está triste comigo, mas eu vou te ajudar. Fique aqui e apenas espere.
  Todos desceram e eu fiquei observando pela janela o movimento no jardim dos fundos. Vi Louis e meu rosto se iluminou. Vi quando Corina o pegou pelo braço e começou a correr com ele. Depois ficaram fora da minha visão. Então esperei. Esperei ansiosamente, mas eles não entravam. Comecei a ficar desesperada e então ouvi um barulho de chaves. Corri para a minha cama e sentei formalmente, tentando parecer calma. 
  Louis entrou correndo e me abraçou. Me beijou suavemente e depois calorosamente. Os únicos sons que saíam de nossas bocas eram gemidos. Começamos a rolar pela cama enorme. Uma das mãos de Louis (que não sei dizer qual pela emoção do momento) foi para debaixo do meu vestido, apertando minha coxa, me enchendo de prazer. Uma onda de calor me invadiu quando Louis mordeu minha orelha. Os pelos da minha nuca se eriçaram enquanto Louis mordia de leve meu pescoço. Nos mexíamos como duas minhocas. Estávamos cheios de prazer e saudades.
  Alguém pigarreou e nos tirou do transe. 
 - Eu senti tanto a sua falta, Katherine - disse Louis, me beijando de novo. - Não sei o que aconteceria comigo se eu não pudesse vir aqui hoje. Não aguentava mais de tantas saudades.
 - Eu também não aguentava mais, Louis. A minha vida virou de cabeça para baixo nesses últimos meses e não ter você aqui só piorou a situação.
 - Desculpa, meu amor. Eu nunca mais vou fazer isso. - Louis se desculpou.
 - Não, não. Você não tem que se desculpar por nada. - Coloquei uma mão no rosto de Louis e a outra em sua mão que ainda estava debaixo do meu vestido, tirando-a de lá. - Você precisa trabalhar e eu sou uma prisioneira... Mas o que importa é que agora estamos juntos.
  Olhei para o lado e vi Corina, Friedrich, Rita e Munfred parados na porta. Estavam observando a cena, mas aquilo já estava ficando desconfortável. Eu precisava de um pouco de privacidade com o meu namorado. Afinal, ele era meu namorado e eu não o via há 7 meses.
 - Será que vocês podem sair? - perguntei nada discreta - Eu e Louis queremos um pouquinho de privacidade.
 - Katherine! - esbravejou Rita - Você ainda é uma criança! Não pode fazer essas coisas antes do casamento!
 - Rita! Pelo amor de Deus! Eu não vou fazer isso antes do casamento, mesmo. Pode confiar. Eu só quero conversar com o meu namorado. Nada mais.
  Eles saíram do quarto e Louis se deitou na cama, me puxando para seu lado e se aconchegando em meus braços. Fiquei fazendo cafuné em sua cabeça e ficamos conversando. Contei tudo que havia acontecido comigo, até mesmo que Rita era minha mãe. Depois ele me contou sobre tudo que havia acontecido com ele e os meninos durante a turnê. Louis ficou impressionado com as coisas terríveis que a rainha fez comigo, me trancando daquele jeito e me agredindo. 
 - E se você fugir comigo? - perguntou Louis empolgado.
 - Não posso fugir de novo. Eu não teria pra onde ir. E eu tenho esse povo pra liderar.
 - Você mesma disse que sua mãe falou que você não ia mais morar aqui com 18 anos e que não ia mais governar o reino.
 - Eu sei, mas ela não pode. Se eu sou filha do meu pai, o verdadeiro herdeiro, e da Rita, minha mãe não tem o direito de governar o reino. Sou eu quem deveria estar governando, não ela. Ela não passa de uma mulher idiota que gosta de fazer todos sofrerem.
 - Vem comigo? Por favooooooooooooooooooooor! - Louis apertou meus braços e me sacudiu de um jeito que me fez rir.
 - Eu posso pensar sobre o assunto. Mas só vou se meu pai contar a história publicamente. E como ele não quer se expor, eu não vou. Agora, vamos fazer outra coisa? Não quero mais conversar.
 - Como quiser. - disse Louis com olhar malicioso e tentando tirar meu vestido.
 - Louis! Não era isso que eu queria fazer. Você sabe que eu não vou transar antes do casamento. Eu queria te beijar bastante, e comer alguma coisa. Tô com fome.
 - Ok, vamos descer.
 - Eu não posso... Tenho que ficar aqui. Ordens da rainha.
 - A rainha não tá no castelo, ou tá? Não. Então vamos, tô com fome também.
  Descemos e fomos advertidos por eu estar arriscando demais, mas nos deixaram ficar lá. Comemos pizza de calabresa com muita cebola e subimos de novo. Já era tarde e estávamos com sono. Louis dormiu comigo na minha cama e Rita não saiu do quarto.