sexta-feira, 8 de novembro de 2013



Believe It

Capítulo 21:

  Louis se levantou e me deu um beijo na testa. Vestiu uma calça de moletom preta, uma blusa de moletom cinza, um par de tênis brancos e uma touca vermelha. Me deu outro beijo na testa e saiu para comprar nosso café da manhã. Me levantei e peguei minha toalha de banho. Entrei no banheiro e abri a torneira, enchendo a banheira. Enquanto me despia, me olhei no espelho. O reflexo era de uma garota sozinha, que tinha curtido muito na noite anterior, bebido muito e dançado muito. Minhas olheiras estavam horríveis. Meu cabelo estava todo desgrenhado e armado. Minha maquiagem borrada. E mesmo assim eu tinha o homem dos meus sonhos.
  Entrei na banheira e aproveitei para tirar o frio que sentia. Amanheceu nevando, típico de Natal. Estava um dia perfeito para ver filmes, comer pipoca e namorar. Comecei a me lembrar que iria embora em poucas horas e isso fez eu me sentir muito mal. E Louis? Comecei a chorar. Minhas lágrimas se misturavam com a água da banheira.
  Ouvi um barulho vindo da sala de estar e presumi que fosse Louis. Consegui parar de chorar e terminar de me ensaboar e me enxaguei. Me levantei e me sequei. Me embrulhei na toalha e andei até meu quarto, sentindo o choque de temperatura. Me vesti http://www.polyvore.com/inverno/set?id=86886530 pronta para o inverno e desci. 
  Louis já havia arrumado a mesa e estava me esperando para comermos juntos. Dei um longo beijo em sua boca e me sentei ao seu lado. Comemos em silêncio e depois fomos para a sala de estar ver um jogo de futebol. A neve tinha parado de cair quando me levantei e fui arrumar minhas coisas.
  Mal tinha chegado em meu quarto e já estava chorando. De saudades, raiva, pena de mim mesma... Meu choro, antes baixinho, agora estava alto e Louis veio até meu quarto para ver o que tinha acontecido.
 - Tudo bem, meu amor? - ele perguntou enquanto me abraçava.
 - Não! - disse eu aos prantos. - Eu vou embora, e não vai demorar muito. Minha passagem já foi comprada e eu não posso continuar aqui! Eu queria ficar, mas não posso. Por mais que eu sofra nas mãos de minha mãe e minha vó, eu tenho um povo pra liderar. Não posso ficar... Sinto muito.
 - Mas... - Ele parecia triste. - Logo agora que começamos uma relação? - Ele me olhou no fundo dos olhos e consegui sentir a dor dele, o que fez eu me sentir pior. - Eu achei que você fosse desistir de ir depois do que aconteceu. Demorei tanto pra perceber que você era a garota certa e, quando eu finalmente consigo, você vai embora? Isso não é justo.
 - Eu sei que isso não é justo! - gritei.
Minhas lágrimas não paravam de cair e eu não sabia o que fazer. Comecei a andar de um lado para o outro. Louis também começou a chorar, o que me fez chorar ainda mais. Ver um homem chorando daquele jeito me deixava mal. Ver Louis chorando daquele jeito me deixou bem pior. Eu estava acabada e não podia fazer nada. Ninguém podia me impedir de voltar para casa, até porquê eu precisava. Não tinha mais dinheiro para continuar me sustentando em outro país, minha passagem já tinha sido comprada, eu precisava de roupas novas e, por mais que eu reclamasse, sentia saudades da minha família. De todos, inclusive os que me maltratavam. Foi o primeiro Natal que não passei com a família.
  Eu imaginava o que se passava na mente de Louis, quando ele me puxou pela cintura e me deu um beijo daqueles. Nossos corpos estavam colados e comecei a sentir um calor que só conseguia sentir quando Louis estava comigo. Ter que partir e deixar aquilo para trás era muito ruim, uma das piores coisas da vida, mas eu tinha que fazer. Louis se afastou e olhou no fundo dos meus olhos. Sua expressão era indecifrável, parecia confuso e ao mesmo tempo triste. Aquilo estava cortando meu coração. Cheguei mais perto dele e beijei seu pescoço. Precisava fazer um esforcinho e levantar a ponta dos pés. Ele me pegou no colo e entrelacei minhas pernas em sua cintura. Em meio a lágrimas e soluços, tinham nossos beijos calorosos.
  Louis me levou para a cama e começou a tirar minha blusa de frio, depois minha camiseta. Me deixei levar pelo clima e tirei sua blusa de moletom, depois sua camiseta. Beijávamos e gemíamos a cada toque. Eu acariciava seu tanquinho e ele passava suas mãos quentes por todo o meu corpo. Ele dava leves mordidas na minha orelha e aquilo me enlouquecia. Quando ele começou a tirar minha calça, ouvimos um barulho vindo da cozinha. Nos vestimos apressados e corremos para ver o que era. Eleanor estava entrando pela porta dos fundos e sorrindo.
 - Atrapalhei alguma coisa? - disse ela parecendo solidária e culpada. - Me desculpem, eu não queria atrapalhar. É que eu vim devolver a chave, Louis. Toma - esticou o braço e entregou a chave para Louis - e podem continuar, prometo que não vou atrapalhar. Na verdade, eu vou embora. Tchau.
Ela saiu e voltamos para o quarto, mas dessa vez para terminar de arrumar minhas malas.

  No avião a situação piorou. Estava me sentindo abandonada. Só conseguia pensar em Louis e na cara que ele fez quando me deixou no aeroporto com Corina e Friedrich. Eu nunca me perdoaria por ter abandonado a minha vida. Louis era minha vida agora, mas eu precisei deixá-lo. E isso cortava meu coração. Corina estava ao lado de Friedrich enquanto eu ficava presa em meus pensamentos. Acabei dormindo.
  Acordei e pisei no gramado coberto de neve no aeroporto do reino. Peguei minhas malas e Corina e Friedrich me ajudaram. Os guardas me barraram na porta principal alegando que eu não era a princesa. Disseram que era impossível. Então, mostrei minha mancha de nascença na nuca, o que fez eles abrirem a porta. Será que eu tinha mudado tanto assim? Subi até meu aposento e encontrei Rita ajoelhada diante de um altar que não existia antes, rezando em voz baixa.
 - Será que posso interromper? - gritei entrando no aposento.
 - Quem é... Katherine! - Rita correu e jogou seus braços ao meu redor. Minhas malas caíram e ficamos um tempão abraçadas.
 - Sentiu minha falta, Ritinha? - perguntei, me soltando de seus braços.
 - Com certeza! Que susto você nos deu! Achamos que estivesse morta! ONDE A SENHORITA ESTAVA?!
 - Eu estava procurando a felicidade. Fui viver um pouco. Viajei para vários lugares que você nem imagina. Mas, tem uma coisa que você não vai acreditar, mas é verdade.
 - O quê?
 - Eu encontrei meu pai vivo!
 - O quê??!!! - gritou e se jogou na cama. - Me conte essa história direito.
 - Depois, agora vou dormir. Já são 23 e poucos. Amanhã eu te conto tudo. Boa noite, Rita.
  Me joguei na cama e adormeci imediatamente. Acordei apenas no dia seguinte, com Rita me chamando para me arrumar para o pronunciamento público de minha mãe. Ela ainda não sabia que eu havia chegado então seria a ocasião perfeita para fazer a surpresa. Me arrumei http://www.polyvore.com/black/set?id=101686996 e fui ao Salão Principal, onde ocorria o pronunciamento. As câmeras estavam voltadas para minha mãe, que ainda ajeitava o microfone para falar. Então ela começou:
 - Olá, Vernicas! Venho aqui para falar sobre minha filha, Katherine. Ela continua desaparecida, e já não tenho mais esperanças de encontrá-la viva.
 - Mas eu tô viva! - gritei e subi no palco montado no centro do Salão. Todos me encararam com espanto. Mamãe estava com olhos de morte. - Embora meu cabelo esteja azul, ainda sou eu. Só que diferente. Amadureci bastante nesses 2 meses em que fiquei fora. Só estava vivendo! Mas, aprendi muito, e descobri um segredinho seu, mamãe!