domingo, 21 de dezembro de 2014




Believe It

Capítulo 28:

  Me acomodei na sala mesmo e passei a noite toda acordada. Meu pai me matriculou em um colégio público e me levou para lá logo cedinho. Eu estava acabada, morrendo de sono e dor no corpo. Ao entrar na sala de aula fui observada por todos e eu odeio ser observada. Procurei um lugar para sentar e só havia um, no fundo da sala. Andei o mais rápido que pude, tentando não fazer contato visual com ninguém. Não tive sucesso. Um garoto lindo me observava, assim como todos na sala, mas o olhar dele era intenso, sedutor, sexy, caliente, etc. Seus olhos eram castanhos, da mesma cor que os olhos do Zayn, mas aqueles olhos eram tão sedutores que não consegui parar de olhá-los. Até tropeçar no pé de uma garota e cair no meio da sala de aula. A sala explodiu em risos e eu quase chorei de tanta vergonha, não que eu não estivesse acostumada, mas realmente doeu. Bati meu dente.
  Me levantei, sacudi a poeira e me sentei em meu lugar, olhando apenas para baixo, evitando o contato visual que só me causou vergonha. Alguns minutos depois um professor entrou na sala e mandou todos pegarem seus cadernos para copiar a matéria da lousa. Peguei meu caderno novo comprado antes de ir para a escola e o abri, sem fazer a menor ideia de que matéria era aquela.
 - Professor, você dá aula de quê? - perguntei.
Novamente a sala explodiu em gargalhadas, mas apenas um garoto não riu, o de olhos estupidamente lindos. Ele era um príncipe. Ou não.
 - Eu dou aula de Biologia. É aluna nova? - Sacudi a cabeça afirmando - Ótimo, mais uma que não sabe nada pra me atormentar.
Me senti um lixo naquele momento, mas eu iria provar para ele que era uma aluna excelente.
  Meu professor explicou a matéria depois de alguns minutos e fez algumas perguntas, que respondi corretamente. A sala ria de mim quando eu acertava mas não era vergonha ser inteligente, era orgulho.
  A manhã passou voando, e logo já estávamos indo embora. Estava no caminho do metrô quando ouvi gritos.
 - Hey! Aluna nova!
Me virei instantaneamente quando ouvi isso. Olhei para trás e era o garoto dos olhos de lua. Sorri automaticamente, me crucificando por isso em seguida. Desfiz o sorriso e esperei ele chegar perto. Ele tocou meu ombro e fez sinal de que ia continuar andando e voltei a andar.
 - Eu nem me apresentei - ele disse - Sou o Miguel e como você é aluna nova eu deveria ter te auxiliado mais na escola, mas no fim não auxiliei em nada.
  O sotaque dele me fez derreter por dentro e não consegui dizer uma única palavra. Depois de um longo silêncio constrangedor ele disse:
 - Não vai me dizer seu nome? Deve ser um nome bem bonito.
 - Ah, claro, desculpa. Meu nome é Katherine Tissou Buffon Chevalier Smith, princ...
 - Que nome longoooo! Haha, mas muito bonito por sinal. Assim como você.
 - Ah, obrigada.
   Nesse momento entramos na estação e por incrível que pareça, fomos para o mesmo sentido. E descemos na estação Cardeal Arcoverde. Viemos conversando o caminho todo, como se nos conhecêssemos há muito tempo.
 - Você mora onde? - Miguel perguntou.
 - Ah, eu moro no Copacabana Palace. Meu pai é funcionário lá então eu moro lá com ele e a namorada, que também trabalha lá.
 - Sério? Nossa, que foda!
 - Foda nada, ele quase nunca para no nosso quartinho apertado porque tem que fazer manutenção de tudo e o quarto dele é apertado demais. Nossa sorte é que todas as refeições são servidas no hotel, então não precisamos nos preocupar com alimentação. Eita, eu falo demais, chega, pode falar agora. Começa a falar antes que eu acabe falando demais e com demais eu quero dizer mais do que eu já falei porque eu já falei bastante e eu normalmente falo bastante aaaaa!
 - Cara, você é engraçada demais - Ele caiu na gargalhada - Você é foda.
 - Não, você é foda... Bom, eu viro aqui nessa rua então até amanhã na escola, tchau. - Dei um abraço apertado nele e fui andando e olhando para trás.
 - Que horas você sai de casa? - ele perguntou aos berros - Quero te buscar amanhã.
 - Eu saio 6 horas, até amanhã e se você não estiver na porta do hotel amanhã eu nunca mais falo com você.
  Não esperei resposta e comecei a correr até o hotel. Antes de entrar dei uma última espidada até onde Miguel ainda estava parado e acenei com a mão, ele deu uma piscadinha e mandou um beijo. É, aquele garoto mexeu comigo.
***
  No dia seguinte me levantei, tomei banho e me vesti http://www.polyvore.com/margo_roth/set?id=143813544. Meu pai levou o café da manhã no quarto e comi apressada. Ele desceu comigo e queria me levar até a escola de novo mas quando vi Miguel parado na porta do hotel nem acreditei que aquilo realmente estava acontecendo.
 - Miguel! - exclamei e o abracei apertado. - Eu não achei que você viesse, achei que você estivesse brincando. Nossa, nem acredito que você veio mesmo, ai que legal. Você cumpre com o que promete, que fofo, você é muito fofo...
 - Chega, filha! - meu pai disse antes que eu acabasse falando demais de novo. - Você vai me falar quem é esse cara aqui ou ele vai ter que se apresentar?
 - Eu sou o Miguel, amigo dela na escola. - Miguel estendeu a mão e meu pai o cumprimentou.
 - Ok, agora vão pra escola. Juízo, hein.
 - Juízo é meu nome do meio - disse Miguel para meu pai enquanto caminhávamos a passos largos para a estação. - E o primeiro nome é Sem.
  Olhei para ele e comecei a rir. Incrível como aquele garoto que acabei de conhecer já me fazia feliz. Acho que coisas boas estão por vir.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014



Believe It

Capítulo 27:

  Todos tem atitudes idiotas, eu principalmente. Agora, eu não sei quem foi mais infantil: Louis ou eu. Eu realmente acho que Louis não liga pra essas coisas românticas, mas será que eu exagerei? Será que foi esse o motivo de ele ter ido embora? Eu adoraria saber.
  Rita apareceu correndo no jardim e quase me matou de susto quando gritou para que eu descesse de cima do muro. Não podia nem ler mais que já chegava alguém pra atrapalhar. Desci, relutantemente, do muro e entrei pela porta da cozinha. Fiquei prestando atenção no trabalho dos empregados. Era bom ter o que fazer.
 - Quando meus parentes voltam, Rita? - perguntei.
 - Minha querida, eles voltam semana que vem. Por quê?
  Rita parou de descascar as batatas para me observar. Tentei não dar sinal algum de minhas verdadeiras intenções. O que eu realmente queria era fugir, de novo.
 - Nada. - respondi e subi para meus aposentos.
  Tranquei a porta e troquei de roupa http://www.polyvore.com/sem_t%C3%ADtulo_267/set?id=105865777. Peguei uma bolsa e coloquei algumas roupas, uns sapatos e dinheiro. Muito dinheiro. Destranquei a porta e observei. Não havia ninguém no corredor, nem nas escadas, nem no Salão Principal. Desci as escadas correndo, tomando cuidado para não fazer muito barulho. Passei pela porta da frente e não vi nenhum guarda. Cori o máximo que pude, até chegar no muro, para depois pulá-lo. Fui até o aeroporto e pedi sigilo a Friedrich. Seguimos para o Brasil.

***
  Desembarquei no Rio de Janeiro e peguei um táxi em direção ao Copacabana Palace. Perguntei por papai na recepção e me indicaram o quarto 315. Subi até lá e bati na porta. Nada. Bati mais uma vez e pude ouvir um barulho de coisas se mexendo. Então ouvi passos. A mesma mulher da outra vez abriu a porta e fez uma cara estranha pra mim. Ela usava um roupão branco que chegava ao chão. Chamou meu pai e ele levantou do sofá onde estava, só de cueca.
 - Kath! - papai disse ao chegar na porta e me dar um abraço apertado. - Como foi que chegou aqui? O que aconteceu? Como você escapou da sua "mãe"? Você tá bem? Aconteceu alguma coisa? Entra. - Papai me empurrou pra dentro e continuou falando - Você tá com fome? Tem alguns doces aqui. Duvido que sua "mãe" deixe você comer doces. Ela tá te tratando bem ou continua te tratando mal? Ela ainda te bate? Ela sabe que você tá aqui?
 - Pai! - o interrompi - Posso falar?
 - Perdão. Pode sim, só se você sentar.
 - Certo. - Me sentei e comecei a falar - Eu fugi do castelo enquanto a família real estava fora, ninguém me viu, só Friedrich, mas eu posso confiar nele. Eu não aguento mais viver isolada, pai. Depois que eu conheci alguns lugares desse mundo enorme, me encantei. Duvido que eu consiga parar. Não consigo ficar presa. Pai, eu vi coisas horríveis. Consegui escapar ontem e vi o estado em que o reino se encontra. Está em péssimas condições. Eu fui perseguida por pessoas que acharam que a culpa era minha.
 - Espera, fala um pouco mais devagar. - Papai tentava me acalmar, mas era impossível. - Querida, faz um chá calmante pra minha filha. Por favor.
 - Claro, meu bem. - a mulher disse, e pela primeira vez ouvi sua voz maravilhosa.
 - Pai, por favor. Eu não preciso me acalmar, eu preciso ser uma pessoa normal. Eu quero vir morar com você, e trabalhar também.
 - O quê??!!! - Papai gritou - Como assim? Isso seria tão legal! Sério que você quer morar comigo?
 - Sim, eu preciso ser normal, pai.
 - Ok. Eu vou te matricular em uma escola amanhã mesmo.
 - Obrigada, papai. Te amo.
  Nos abraçamos e joguei minha mala no chão. A mulher que eu ainda não sabia o nome me entregou uma xícara de chá de camomila e outra para papai. Se sentou em seu colo e ficou me observando.
 - Ah, que falta de educação a minha. Sou Katherine Tissou Buffon Chevalier Smith, princesa de Vernicas. Mas pode me chamar de Kath. E você é...? - Estendi a mão para a mulher.
 - Meu nome é Ana Cláudia Morales, mas pode me chamar de Cláudia, a maioria das pessoas me chama assim. - Ela pegou na minha mão e me puxou para um abraço caloroso.
 - Já que todos te chamam de Cláudia, vou te chamar de Ana. - eu disse - Prefiro não fazer o que todos fazem.
 - Igualzinha ao pai. - Ana disse.
  Rimos e tomamos o chá, os três ao mesmo tempo.
  Me acomodei em uma das camas da suíte e joguei minhas coisas debaixo da cama. Minha vida de verdade estava só começando.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014



Believe It

Capítulo 26

 Um peso sobre meu corpo me despertou. Louis estava me esmagando com seu peso. Ainda estávamos no meio do mato, o sol começava a raiar, os passarinhos tinham o canto baixinho. Empurrei Louis com todo o cuidado, mas ele acordou. Estava sonolento quando levantou e me puxou para seus braços. Ficamos abraçados ali por um momento, sem dizer uma única palavra. Me soltei de seus braços, depois de alguns instantes, calcei minhas alpargatas e apanhei meu boné na grama. Andei em direção à porta dos fundos. Estava morrendo de fome. Louis me segui até a cozinha, onde Rita estava apoiada sobre o balcão, chorando.
 - O que aconteceu, Rita? - corri apressada em sua direção, para reconfortá-la.
 - Ele - ela apontou para Louis - Foi isso que aconteceu. Agora você não é mais minha menininha. Você já sabe dos pecados! - Rita começou a gritar - Deus! Por que isso tinha que acontecer?! Por que, meu Deus?!
 - Ai, Rita! - gritei - Que saco! Se eu sou sua filha, você transou! Então eu posso transar também! Fim! E eu tô com fome, quero comer ovos mexidos com pão. - Ela ia pegar a frigideira, mas me apressei - E não precisa se preocupar porque eu mesma faço. Vá descansar, você precisa.
 - Para a sua opinião, mocinha, eu não transo mais. - Rita disse e saiu da cozinha.
 - Talvez seja por isso que eu encontrei camisinhas na sua gaveta! - gritei.
 - Nossa, você sempre briga assim de manhã? - disse Louis - Porque eu me lembro de quando eu e os meninos ficamos aqui na época do seu aniversário e você brigou com sua avó e sua mãe.
 - Elas é que implicavam comigo. Mas chega de falar disso. O que a gente vai fazer hoje? - perguntei animada.
 - Você decide - disse Louis, pegando uma faca para cortar os pães.
 - Então vou te fazer uma surpresa - disse eu enquanto salgava os ovos.
  Comemos e subimos para o quarto. Ficamos sentados, conversando e trocando carícias. Relembrando a noite anterior. Nossos corpos colados um no outro, se esfregando, relembrando tudo.
  Louis desceu e ficou conversando com Rita, enquanto eu tomava banho. Me arrumei http://www.polyvore.com/sem_t%C3%ADtulo_260/set?id=105864399 e desci, enquanto Louis tomava banho. Não troquei uma palavra sequer com Rita. Eu não era a única que magoava as pessoas. Ela me magoou muito. Não custava nada ela ter me contado que era minha mãe. Muito pelo contrário, ajudaria muito na hora de passar pelo que estou passando. Louis voltou e nós saímos de fininho para nenhum dos guardas nos pegar. Tive que pular um muro e, mais uma vez, meu joelho ficou estourado e minha calça rasgou.
  Passamos na farmácia e tomei a pílula do dia seguinte. Passamos em uma lojinha e compramos um pedaço de pano preto. Pegamos um táxi, vendei Louis e fomos a caminho de nosso destino. E ele ainda não sabia qual era. Eu disse para o taxista apenas o nome da rua e ele nos deixou lá. A rua estava vazia, como eu imaginei que estaria. Guiei Louis o tempo todo. Entramos em um prédio abandonado e subimos as escadas até o terraço. Tirei a venda dos olhos de Louis e ele não entendeu.
 - Não entendi o propósito desse tempo todo que fiquei vendado. É uma pegadinha?
 - Você tem sentimentos? - perguntei sarcástica.
 - Só me explica - ele respondeu irritado.
 - Tá bom. Tá vendo esses fios com esses papéis pendurados? - Apontei para os fios acima de nós - Nesses tempos que ficamos separados eu escrevia meus pedidos e Rita trazia aqui e os pendurava. E eles se realizaram. Quer ler?
 - Não. - Louis deu alguns passos pra trás e ficou me observando - Sério que você me trouxe aqui só pra isso?
 - Bom, aqui se parece muito com o terraço da noite de Natal, lá em Londres. Tem até plantas parecidas.
 - Hum. Entendi.
 - Louis? Tá tudo bem? - perguntei preocupada.
  Seus olhos não eram os mesmos olhos que me encantaram, não estavam mais alegres. Estavam com um sentimento que eu não conseguia distinguir. Meu coração disparou ao vê-lo daquele jeito. Ele deu mais alguns passos pra trás e virou de costas para mim. Começou a descer as escadas correndo e eu corri atrás.
 - Louis! - eu gritava, mas ele parecia não me ouvir.
  Louis chamou o primeiro táxi que apareceu e me deixou lá. Sozinha. Andei até o ponto de táxi. Esperei um tempo. Nenhum táxi veio então andei pelo reino. Não conhecia o reino inteiro, por isso fiquei meio assustada com o que vi. Estava muito diferente do que costumava ver nas fotos. Estava cheio de lixo espalhado pelas ruas, pessoas morando em barracos montados na calçada, pessoas fuçando no lixo, usando drogas, paredes pichadas, prédios caindo aos pedaços... Uma podridão total! Não tinha pedaço algum do reino que fosse bonito.
 - Olha lá a princesa! - gritou uma mulher - A culpa disso tudo é dela! Peguem ela!
  As pessoas começaram a correr atrás de mim e minha única alternativa foi correr delas. Me refugiei no meio da mata e fui parar no aeroporto. Parece que toda vez que fujo de alguém eu vou parar lá. De lá, encontrei meu caminho de volta para o castelo. Meus pés já estavam doendo de correr de salto.
  Rita estava sentada na cama e nem ligou quando entrei chorando. Me joguei na cama, tirei os sapatos e me cobri. Me enfiei debaixo do edredom e só saí de lá no dia seguinte, e só porque Rita me obrigou a levantar. Desci as escadas como uma perdedora, o que eu realmente era. Louis estava no Salão Principal e quando eu passei ele puxou meu braço e me obrigou a conversar.
 - Você me deixou triste ontem, não quero conversar! Me solta! - gritei, mas foi inútil.
 - Você tá agindo como uma criança! - ele gritou de volta.
 - Eu?! EU?! Quem foi a pessoa que estragou o dia?! VOCÊ! Eu queria uma coisa romântica, e você estragou!
 - Katherine Tissou Buffon Chevalier Smith, você está sendo uma criança! Era só um lugar idiota! 
 - Lugar idiota? - Finalmente consegui me soltar de seus braços e sentar em uma das cadeiras - É isso que você acha do lugar que eu te levei? Foi apenas um lugar idiota?
 - É, desculpa, mas é a verdade.
 - Então é isso que você acha do nosso amor? Um amor idiota, que começou em um lugar idiota. Legal...
  Fui na cozinha e peguei uma pera. Andei até o jardim dos fundos e fiquei lá, até ter a paz perturbada por Louis.
 - Kath, sério, se você pensa assim, me desculpa. Mas eu não quis dizer isso. Nosso amor é importante.
 - Eu sei que você só queria transar comigo, Louis. Pode ir embora agora - eu falava e cuspia ao mesmo tempo.
 - Talvez eu vá mesmo.
  Louis foi embora no mesmo dia e eu, a pessoa mais idiota nesse mundo, fiquei sozinha, como sempre.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013



Believe It

Capítulo 25:

  Louis trouxe um pedaço de pizza da noite anterior e um copo de refrigerante. Ficamos conversando por um bom tempo, até que Rita decidiu sair do quarto. Estava chovendo e a eletricidade acabou. Rita ficou fazendo suas tarefas domésticas e deixou a porta do meu quarto aberta. Louis se levantou e a fechou, passou a chave e me jogou na cama.
 - Louis, o que você vai fazer? - perguntei. Meus olhos estavam arregalados e eu estava assustada.
 - Katherine, chegou a hora - ele disse.
 - Não. Eu só vou perder a virgindade depois... Para Louis, para de morder meu pescoço. Você sabe que isso me deixa excitada.
 - Não fala nada, só faz.
  Deixei me levar pela onde de excitação. Louis tirou minha camisola e meu sutiã. Tirei sua camiseta e fiquei acariciando seu tanquinho enquanto ele me olhava profundamente. Voltou a me beijar enquanto acariciava meu seio direito. Estávamos cheios de prazer.
  Tirei sua calça e observei sua cueca. Ele realmente estava excitado. Louis fez uma trilha de beijos desde meu pescoço até minha calcinha. A abocanhou e me fez rir. Mas não foi um riso muito verdadeiro, eu estava tensa. E ele percebeu.
 - Relaxe, Kath. Não vou fazer nada que você não queira. Você tá pronta?
 - Tô.
  Ele tirou minha calcinha com a boca e a jogou em um canto do quarto. Louis colocou um dedo em minha vagina, depois mais um. Eu já estava molhada. Mordia os lábios para abafar os gemidos. Minha respiração estava ofegante e eu já tinha começado a suar. Louis massageou meu clítoris com a língua e eu não estava mais aguentando, quando finalmente deixei um gemido abafado sair. Gemi seu nome mais uma vez, e um pouco mais alto.
Coloquei minha mão na cueca dele e senti seu pênis completamente duro, pulsando dentro da cueca. Ele segurava minhas coxas, tentando me manter parada, mas eu não conseguia parar de me contorcer. Além de prazer, eu sentia cócegas.
Gozei na boca dele e ele me beijou, fazendo eu sentir meu próprio gosto. Já estava começando a entrar no jogo.
  Empurrei Louis e ele ficou de joelhos na cama, enquanto eu ficava de quatro. Abaixei sua cueca e sorri quando vi seu pênis completamente ereto. Enfiei tudo na boca e fiz meu primeiro boquete. Eu sugava, lambia, chupava seu pênis. Quando Louis finalmente gozou, lambi e engoli o gozo, fazendo ele se jogar na cama.
Me levantei rapidamente e peguei uma camisinha na gaveta de camisinhas da Rita. Entreguei para Louis e ele colocou. Me puxou para seu colo e eu sentei devagar. Estava doendo, claro, mas era uma dor boa. Quando seu pênis finalmente estava inteiro dentro de mim, comecei a rebolar e quicar. A dor logo foi passando, deixando apenas o prazer.
  Trocamos de posição, Louis em cima de mim novamente. Ele segurou uma de minhas pernas, para facilitar a passagem de seu membro. Fomos mais rápido, e mais rápido, e mais rápido. Ele enfiava até o fim e depois tirava quase por completo. Eu gemia de reprovação, e ele gostava daquilo. Trocamos mais um beijo e ele agarrou minha cintura, a apertando com força.
 - Vai... mais rápido... awwwnn. - gemi, sem separar nossos lábios.
Louis me pediu para ficar de quatro. Eu estava com medo. Me virei e afundei a cabeça no travesseiro. Incrivelmente, seu pênis duro entrou com facilidade em mim. Soltei um gemido alto e abafado quando as estocadas fortes dele começaram. Louis se apoiou na parede para ir com mais força, e a minha bunda já estava ficando vermelha pelos tapas que ele me dava, conseguia sentir ela queimar um pouco. Com mais algumas estocadas, senti ele gozar, jorrando seu líquido dentro de mim. Louis beijou meu pescoço e caiu ao meu lado. Minhas pernas estavam tremendo e eu, muito cansada. Ele me puxou para perto dele e nós ficamos deitados ali por uns minutos, apenas apreciando o tempo juntos.

***
Rita bateu na porta e eu já havia colocado minha camisola e Louis seu pijama. Abri a porta e ela estava parada e assustada.
 - Eu ouvi! - ela gritou - Você não é mais virgem!
  Rita começou a chorar e não aguentei vê-la daquele jeito. Desci as escadas correndo e Louis foi atrás de mim. Peguei uma maçã e entreguei uma para Louis.
 - Você se arrependeu? - Louis perguntou, uma expressão de culpa.
 - Não, meu amor! - me apressei em dizer. Toquei seu rosto e o acariciei - Não me arrependo de nada, foi o melhor momento da minha vida.
 - Certeza?
 - Absoluta. Agora, acho melhor nós tomarmos banho. A gente tá grudando de suor.
 - Ok, vamos lá.
  Entramos no banho e transamos na banheira. Me vesti http://www.polyvore.com/sem_t%C3%ADtulo_213/set?id=101695926 e Louis colocou uma cueca amarela e sua camisa branca que eu tanto amava. Ficamos conversando na cama, evitando Rita.
  Durante a noite, descemos e fomos para o jardim dos fundos, tomando cuidado para não sermos vistos pelos guardas. Nos deitamos na grama úmida e ficamos olhando o céu estrelado pós-chuva. Acabamos dormindo no meio do mato.

domingo, 17 de novembro de 2013



Believe It

Capítulo 24:

  Não conseguia prestar atenção na aula de História, mesmo amando a matéria. Estava totalmente ansiosa para ver Louis. Eu precisava dele. E minha mãe foi burra o suficiente para me deixar no castelo enquanto ela e o resto da família estariam fora. 
  O professor falava, falava, falava, mas eu não conseguia prestar atenção. Por mais que tentasse. What Makes You Beautiful tocou e o professor se levantou, pegou suas coisas e saiu do meu aposento. Rita guardou meus materiais escolares, mesmo sabendo que eu mesma podia ter feito, e se sentou ao meu lado. Apertou minhas mãos dentro das suas e me deu um sorriso amigável.
 - Tá tudo bem, Ritinha? - perguntei.
 - Tudo ótimo! - ela respondeu, com um sorriso maior ainda. - É só que eu fico tão feliz de saber que você está se aproximando da verdadeira felicidade. Eu... - sua voz falhou por um instante, enquanto uma lágrima ameaçou cair de seu olho. - Eu sempre achei você uma criança infeliz e depois uma adolescente infeliz. Ter a família que você tem não faria bem para você, se você não tivesse encontrado o verdadeiro amor.
 - Rita... - minha voz falhou também. - Você esteve aqui o tempo todo. Me fazendo feliz. Você cuidou de mim como se fosse minha verdadeira mãe. E como eu queria que você fosse minha mãe...
  Um silêncio reinou por alguns minutos.
  Um silêncio que estava me consumindo.
  Era raro fazermos aquele silêncio, e estava me consumindo. Como se alguma coisa estivesse errada. 
  E então Rita me abraçou e disse:
 - Eu sou sua mãe, Katherine.
 - Eu sei - disse eu. - Eu te considero minha mãe. Só não saí de você, mas de resto...
 - Você não está entendendo! - Rita me interrompeu. - Eu sou sua mãe. Sua mãe biológica.
  Naquele momento, o muro de resistência que eu havia construído nos últimos meses desmoronou. Saí do abraço e olhei no fundo dos olhos de Rita. O que eu via era culpa.
 - Como assim é minha mãe? - perguntei aos gritos.
 - E-eu queria ter contado, mas a rainha não deixou. 
  Me levantei bruscamente e fiquei andando de um lado para o outro, sentindo as lágrimas escorrerem pelo meu rosto. Meus joelhos tremiam e minhas mãos também. Cerrei os punhos e disparei um olhar assassino para Rita.
 - Por que você decidiu contar só agora?! Eu já tenho quase 16 anos! - gritei, cada vez mais alto a cada palavra.
 - Pare de gritar. Sua mãe vai ouvir. Quer dizer, a rainha vai ouvir.
 - Foda-se a rainha! Foda-se esse reino! Foda-se todo mundo! Sai do meu quarto! Agora!
 - Katherine! Que modos são esses?
 - Não quero saber! Saia, agora!
  Rita se levantou e andou em direção à porta. Parou lá e me olhou apenas para ver que eu estava apontando para a porta. Quando ela saiu e trancou a porta, desabei na cama e chorei. Chorei até não poder mais. Chorei por tudo. Chorei por estar presa. Chorei por descobrir que meu pai estava vivo e minha mãe era Rita. A pessoa que eu mais confiei em toda a minha vida traiu minha confiança e tudo que eu conseguia fazer era chorar. 
  De tanta raiva, comecei a puxar meus cabelos, esfregar as mãos no rosto e dar socos na cama. Não adiantou nada porque quando me olhei no espelho vi uma garota com o vestido amassado, maquiagem borrada e cabelo desgrenhado. 
  O problema de chorar por dois motivos é que eu sempre acabo arrumando milhares de motivos para chorar também. Comecei a botar defeitos no meu corpo cheiinho, na minha pele ressecada e manchada, nos meus pés tortos, no meu cabelo embaraçado, nas minhas unhas curtas...
  Entrei no box e liguei o chuveiro. A água quente batia nas minhas costas e aliviava um pouco a tensão. Meus músculos relaxaram e pude me arrumar para a chegada de Louis http://www.polyvore.com/sem_t%C3%ADtulo_56/set?id=86108121. Não passei maquiagem e apenas prendi meu coque desarrumado bem no alto.
  Meus familiares entraram no meu quarto para se despedirem e olhei pela janela para me certificar de que eles haviam mesmo ido embora. Rita entrou no quarto pedindo desculpas e eu fingi que tinha aceitado, apenas para botar o plano em prática. Corina, Friedrich e Munfred entraram logo em seguida. 
  Depois de algumas horas, Friedrich saiu para buscar Louis. Já estava escuro, melhor para os funcionários do castelo não perceberem tudo. Enquanto isso, Corina ficou tentando me convencer a trocar de roupa, alegando que a que eu estava usando era muito simples e que meu cabelo estava muito bagunçado. Eu disse que Louis gostava de mim assim, mas ela continuou insistindo. Não cedi e ela desistiu.
  Algumas horas depois Friedrich entrou no quarto. Sozinho. Minha animação passou.
 - Cadê o Louis? - perguntou Corina.
 - Ele não conseguiu entrar no castelo por causa dos guardas - respondeu Friedrich. - Mas eu vim buscar vocês para me ajudarem a despistar os guardas. Louis está naquele jardim que fica nos fundos. Vamos lá?!
 - Vamos - disse Rita animada. - Kath, eu sei que você está triste comigo, mas eu vou te ajudar. Fique aqui e apenas espere.
  Todos desceram e eu fiquei observando pela janela o movimento no jardim dos fundos. Vi Louis e meu rosto se iluminou. Vi quando Corina o pegou pelo braço e começou a correr com ele. Depois ficaram fora da minha visão. Então esperei. Esperei ansiosamente, mas eles não entravam. Comecei a ficar desesperada e então ouvi um barulho de chaves. Corri para a minha cama e sentei formalmente, tentando parecer calma. 
  Louis entrou correndo e me abraçou. Me beijou suavemente e depois calorosamente. Os únicos sons que saíam de nossas bocas eram gemidos. Começamos a rolar pela cama enorme. Uma das mãos de Louis (que não sei dizer qual pela emoção do momento) foi para debaixo do meu vestido, apertando minha coxa, me enchendo de prazer. Uma onda de calor me invadiu quando Louis mordeu minha orelha. Os pelos da minha nuca se eriçaram enquanto Louis mordia de leve meu pescoço. Nos mexíamos como duas minhocas. Estávamos cheios de prazer e saudades.
  Alguém pigarreou e nos tirou do transe. 
 - Eu senti tanto a sua falta, Katherine - disse Louis, me beijando de novo. - Não sei o que aconteceria comigo se eu não pudesse vir aqui hoje. Não aguentava mais de tantas saudades.
 - Eu também não aguentava mais, Louis. A minha vida virou de cabeça para baixo nesses últimos meses e não ter você aqui só piorou a situação.
 - Desculpa, meu amor. Eu nunca mais vou fazer isso. - Louis se desculpou.
 - Não, não. Você não tem que se desculpar por nada. - Coloquei uma mão no rosto de Louis e a outra em sua mão que ainda estava debaixo do meu vestido, tirando-a de lá. - Você precisa trabalhar e eu sou uma prisioneira... Mas o que importa é que agora estamos juntos.
  Olhei para o lado e vi Corina, Friedrich, Rita e Munfred parados na porta. Estavam observando a cena, mas aquilo já estava ficando desconfortável. Eu precisava de um pouco de privacidade com o meu namorado. Afinal, ele era meu namorado e eu não o via há 7 meses.
 - Será que vocês podem sair? - perguntei nada discreta - Eu e Louis queremos um pouquinho de privacidade.
 - Katherine! - esbravejou Rita - Você ainda é uma criança! Não pode fazer essas coisas antes do casamento!
 - Rita! Pelo amor de Deus! Eu não vou fazer isso antes do casamento, mesmo. Pode confiar. Eu só quero conversar com o meu namorado. Nada mais.
  Eles saíram do quarto e Louis se deitou na cama, me puxando para seu lado e se aconchegando em meus braços. Fiquei fazendo cafuné em sua cabeça e ficamos conversando. Contei tudo que havia acontecido comigo, até mesmo que Rita era minha mãe. Depois ele me contou sobre tudo que havia acontecido com ele e os meninos durante a turnê. Louis ficou impressionado com as coisas terríveis que a rainha fez comigo, me trancando daquele jeito e me agredindo. 
 - E se você fugir comigo? - perguntou Louis empolgado.
 - Não posso fugir de novo. Eu não teria pra onde ir. E eu tenho esse povo pra liderar.
 - Você mesma disse que sua mãe falou que você não ia mais morar aqui com 18 anos e que não ia mais governar o reino.
 - Eu sei, mas ela não pode. Se eu sou filha do meu pai, o verdadeiro herdeiro, e da Rita, minha mãe não tem o direito de governar o reino. Sou eu quem deveria estar governando, não ela. Ela não passa de uma mulher idiota que gosta de fazer todos sofrerem.
 - Vem comigo? Por favooooooooooooooooooooor! - Louis apertou meus braços e me sacudiu de um jeito que me fez rir.
 - Eu posso pensar sobre o assunto. Mas só vou se meu pai contar a história publicamente. E como ele não quer se expor, eu não vou. Agora, vamos fazer outra coisa? Não quero mais conversar.
 - Como quiser. - disse Louis com olhar malicioso e tentando tirar meu vestido.
 - Louis! Não era isso que eu queria fazer. Você sabe que eu não vou transar antes do casamento. Eu queria te beijar bastante, e comer alguma coisa. Tô com fome.
 - Ok, vamos descer.
 - Eu não posso... Tenho que ficar aqui. Ordens da rainha.
 - A rainha não tá no castelo, ou tá? Não. Então vamos, tô com fome também.
  Descemos e fomos advertidos por eu estar arriscando demais, mas nos deixaram ficar lá. Comemos pizza de calabresa com muita cebola e subimos de novo. Já era tarde e estávamos com sono. Louis dormiu comigo na minha cama e Rita não saiu do quarto.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013



Believe It

Capítulo 23:

  Acordei com a tempestade que estava lá fora. Olhei no rádio-relógio e ainda eram 03:06. Virei para o lado e vi Rita em sua cama. O abajur do criado-mudo estava acesa e ela lia uma revista. Me levantei e andei para a janela para ver a tempestade. Ventos fortes sopravam e as árvores balançavam. Raios apareciam e trovões me assustavam. Mesmo assim, continuei olhando. Era uma coisa linda de se ver. 
  Sentei na cama de Rita e ela colocou a revista no criado-mudo. Puxou as cobertas e eu me enfiei debaixo delas, abraçando Rita e ficando no quentinho. Já era verão mas era uma noite fria em Vernicas. Os últimos meses estavam muito frios. Não falei nada e Rita também não. Apenas a presença dela me confortava, não era preciso mais nada. Eu gostaria de ser filha dela. De qualquer forma, ela era uma mãe para mim. Eu a amava e ela me amava. Ela cuidou de mim. Ela me deu carinho. Ela era minha mãe.
  Bateram na porta do quarto e corri para a minha cama, sabendo que era minha mãe. Rita se levantou e abriu a porta. Era um dos guardas. Ele entrou e fez uma reverência para mim. Fechou a porta e caminhou até minha cama.
 - O que o Munfred tá fazendo aqui, Rita? - perguntei.
 - Ele é meu namorado. Mas ele não veio por isso. Ele veio te falar uma coisa.
 - Sim, eu vim. - Sua voz era grossa e ele era um cara bonito. - Na próxima semana a rainha estará fora. Ela vai passar a semana inteira fora do reino, vai fazer uma viagem para a Ásia.
 - E...?
 - Eu acho que é a chance de a senhorita conseguir ver seu amado. Eu sei que a senhorita o ama. Rita me contou. Não deixe que o amor de vocês seja atrapalhado por ninguém. O amor é uma coisa tão linda, não deixe que estraguem isso.
 - Eu ainda não entendi... Sou lerda. - Comecei a achar que anos de estudo não funcionaram. - Como o Louis vai conseguir entrar aqui? Tem minha família e os guardas e criados fofoqueiros.
 - É aí que ele ia chegar, Kath. - disse Rita.
 - Sua mãe viajará e sua avó irá com ela. Seus outros parentes estarão na festa de casamento de Summer, representando a família, sua mãe e sua avó. Os guardas irão para protegê-los, apenas alguns ficarão no castelo. Eu serei um deles. Os outros serão meus amigos de confiança. 
 - Mas, e os criados? - perguntei pessimista.
 - Não precisa se preocupar com eles. A rainha estará fora então eles não terão que servir ninguém, já que sua criada é Rita. Se você dispensá-los, eles irão para suas casas e o castelo ficará livre para você e seu amado.
 - Mas... E se Louis não estiver disponível? - Cada vez mais pessimista.
 - Ele estará. Já o comuniquei e ele concordou em vir aqui.
 - Sério? Obrigada, Munfred! - Comecei a dar pulos no colchão e abracei Munfred e Rita. Estava tão feliz.
  Munfred saiu e voltei a olhar a chuva. Estava mais fraca e silenciosa. Eram 04:39 quando decidi deitar. Rita já havia dormido há um tempão, mas eu gostei de ficar absorta em meus pensamentos. Me deitei e continuei acordada por um tempo, lembrando de meu futuro encontro com Louis. Meus dias de chorar estariam no fim.

  Acordei 11:11 e fiz um pedido. Desejei que eu e Louis pudéssemos ser felizes juntos, sem muita interferência das pessoas. Podia parecer coisa de patricinha pensar em um final feliz, mas era isso que eu queria.
  Me levantei e tomei banho. Me vesti http://www.polyvore.com/mulher_moderna/set?id=68945313 e fiquei sentada na cama, esperando Rita chegar com o café da manhã. Meu quarto estava muito quente, o sol batia nas janelas e caminhava até metade do quarto. Abri as janelas grandes e fiquei observando o jardim dos fundos. Ninguém ia lá. O lugar mais bonito do castelo. Com plantas mortas e coisas do tipo.
  Rita entrou e colocou a bandeja na minha cama bagunçada. Dei um abraço nela e bebi o suco de abacaxi com hortelã que eu tanto amava. Não comi o pão porque no calor pão me incomoda. Nos sentamos no carpete e ficamos conversando por um bom tempo. Até que minha mãe entrou no quarto e expulsou Rita de lá. Rita saiu às pressas e minha mãe trancou a porta. Eu não havia feito nada de errado.
 - Você não aprende, não é mesmo? - disse mamãe.
 - O que eu fiz dessa vez? - perguntei com sarcasmo.
 - Quem disse que você podia abrir as janelas? Eu disse que era presa nesse quarto sem nada aberto. Nada de janelas nem portas abertas!
 - Mas tá um forno aqui!
 - Quem linguajar inapropriado para uma princesa! E não quero saber se está calor! Você vai ficar trancada para aprender a nunca me desobedecer! Feche essa janela! Agora!
 - Não. - Isso, Katherine, fique brincando com fogo!
 - Não? Como assim? Você vai me desobedecer outra vez? - Ela andou até mim e me deu um tapa no lado direito do rosto e pegou meu braço. O apertou com força e cravou suas unhas em mim. - Vá fechar as janelas!
  Me levantei e fechei as janelas. Ela saiu logo em seguida e Rita entrou. Rita cuidou de meus machucados no braço e mais chorava do que eu. Enfim mamãe saiu e Rita levou o tablet para nosso quarto. Entrei no Twitter e vi algumas coisas, mas não pude postar nada para não deixar nenhum vestígio de que tinha usado a internet. Liguei para Louis e matei um pouco as saudades.
 - Tô ansioso pra te ver, amor! - ele disse.
 - Eu também! Tô contando os dias, as horas, os minutos, tô contando tudo. Quero que seja especial.
 - Eu também. Não aguento mais ficar longe de você. Foi difícil pra mim ficar longe, e em turnê...
 - Amor, eu queria poder falar tantas coisas, mas não tenho tempo... - Ouvi um barulho vindo lá de baixo. - Amor, ouvi um barulho, deve ser minha mãe. Tenho que desligar. Beijos no seu bundão, tchau. Te amo. - Desliguei.
  Entreguei o tablet para Rita e ela saiu do quarto. Deitei na cama e peguei meu livro O Lado Bom da Vida. Um livro inspirador, mas um dos livros proibidos de Vernicas. Mas ele estava encapado com a capa de Ladrão de Almas. Ótimo jeito de enganar minha mãe. E por falar nela, entrou a "querida".
 - Hum, só queria saber se estava mesmo aqui. Lendo esse livro de novo? Não vai fazer bem para sua mente ler toda vez o mesmo livro. Bom, desde que não saia deste quarto qualquer livro está bom. Até mesmo de Sociologia.
  Ela saiu e continuei minha leitura. (...) a vida não é um filme de censura livre para fazer com que a pessoa se sinta bem. Muitas vezes a vida real acaba mal, (...). E a literatura tenta documentar essa realidade, mostrando-nos que ainda é possível suportá-la com nobreza.
  Fiquei a tarde toda lendo e terminei o livro no mesmo dia. Rita veio se deitar e me trouxe outro livro. Um Dia é um livro que eu sempre quis ler, mas que também era um os livros proibidos de Vernicas. O deixei no meu criado-mudo e me deitei de vestido mesmo. Não fiz questão de trocar de roupa, apenas tirei o tênis. Dormi rapidamente.



Believe It

Capítulo 22:

  As pessoas me olhavam confusas enquanto minha mãe se fazia de desentendida. Eu não estava tão diferente assim.
 - Quem deu permissão para essa garota subir no palanque? - gritou minha mãe para um dos seguranças.
 - Mãe! Sou eu, Katherine. Olha aqui. - Mostrei minha mancha de nascença em formato de uma fatia de pizza. - Posso ter mudado o cabelo, mas ainda sou eu.
 - Filha! - Minha mãe me abraçou bem forte e então sussurrou em meu ouvido: - Onde você estava? Idiota! Eu vou acabar com você! Apenas espere.
  Descemos do palanque e nossos súditos nos aplaudiram. Os paparazzi tiraram muitas fotos e me encheram de perguntas que não fui capaz de entender direito, então continuei subindo com minha mãe.
  Ela me arrastou pelos corredores e me levou para seu quarto. Me jogou em sua cama e abriu um armário grande, logo em seguida um pequeno dentro dele. Ela não disse uma palavra e eu também não falei nada. Já sabia o que aconteceria. Já sabia que minha punição seria dada. Apenas aceitei. Mamãe pegou uma caixa de tamanho médio e tirou a tampa, revelando algumas armas, inclusive armas de fogo. Pegou uma espécie de cinto, um pouco mais grosso, preto e vermelho. Parecia ser de couro, o que tornaria os golpes piores.
 - Consegue ver isso? - ela perguntou.
 - Sim. É meu punimento. - eu disse, sem demonstrar todo o medo que estava sentindo.
 - E você aceita bem? Parabéns, evoluiu bastante. - disse ela com desdém, batendo o cinto na mão para testar e fazendo uma careta de dor.
  Continuei sentada na cama. Ela testou o cinto mais algumas vezes e então foi ao meu lado, abriu meu vestido e me deu a primeira cintada. Doeu bastante, mas então veio outra, e mais outra, e mais  uma, até que viraram muitas e eu já não sentia mais dor. Minha pele se acostumou com a dor e não reclamei nenhuma vez. Senti as lágrimas escorrendo por meu rosto e enxuguei-as.
  Mamãe parou e guardou o cinto, a caixa e fechou os armários. Me olhou dos pés à cabeça e então se encostou na parede. Vesti meu vestido novamente e senti mais lágrimas escorrerem. Ela continuou me olhando por mais um tempo antes de falar. Sua voz estava me corroendo. Aquela maldita voz.
 - Feliz Natal, Katherine. Parabéns, filha. Você conseguiu a liberdade que queria. Mas agora chega! - ela gritou a última frase.
 - Eu só quis saber como era ser feliz...
 - Você é idiota? Qual o seu problema, vadia?! - A voz dela me irritou tanto que fui obrigada a responder.
 - Pelo que eu saiba, não sou a vadia dessa história. Não fui eu que mandei matar o pai da minha filha... - Deixei a frase no ar e saí do quarto.
  Corri para meu quarto morrendo de dores e Rita estava lá. Pedi para que ela fizesse alguns curativos em minhas costas que estavam sangrando. Troquei de roupa http://www.polyvore.com/selena/set?id=89482571 e me dirigi ao Salão Principal. As pessoas ainda estavam lá e os paparazzi também. Pelo que eu estava vendo era um evento. As mesas estavam cheias de comida e bebidas. Haviam várias pessoas lá, mas nenhuma com aparência de pobre. Todas deviam ser da alta sociedade.
  Algumas pessoas me fizeram perguntas sobre onde eu estava, o que eu havia feito, mas não respondi a nenhuma delas. Estava morrendo de dores e quase não aguentava andar. Me lembrei de Louis e me emocionei, mas não chorei. Lutei para não chorar, colocando um canapé inteiro na boca. Uma música lenta começou a tocar e as pessoas começaram a dançar. Andei pelo Salão sem me preocupar muito em esbarrar nas pessoas. Estava tudo tão diferente. Então trombei com um rapaz alto, loiro, com costas largas e ombros musculosos. O rapaz se virou e sorriu para mim. Marcs me abraçou bem apertado, me fazendo gemer de dor por causa das costas machucadas.
 - Como eu senti sua falta! - esbravejou ele, me soltando e olhando no fundo dos meus olhos. - Te machuquei?
 - Você não, mas, você sabe, já recebi parte da minha punição. - disse eu tentando não chorar de dor e lamentação.
 - Eu não entendi, como assim?
 - Vem cá. - 
  Conduzi Marcs pelo Salão e subimos as escadas. Caminhamos o longo corredor e entramos em meu quarto. Ele se sentou em minha cama e contei tudo que aconteceu no quarto da minha mãe. Contei também sobre meu pai e sobre meu namoro com Louis. Ele parecia feliz por mim. Era bom ter alguém para conversar. Ficamos boas horas conversando sobre mim e resolvi que era hora de falarmos sobre outras coisas. 
  Marcs estava no castelo porque firmou um contrato entre seu reino e o meu. Ele mal tinha atingido a maioridade e já estava tomando decisões importantes em nome de seu pai. Summer estava de casamento marcada com um príncipe de um reino asiático. Millena foi demitida porque foi pega por mamãe roubando um garfo da prataria. Bertran morreu quando rolou escada abaixo. E assim foi nossa conversa.
  Mamãe entrou no quarto e se assustou quando viu Marcs deitado ao meu lado na cama, rindo como uma criança.
 - Que pouca vergonha é essa? - gritou ela.
 - Não é pouca vergonha, rainha. - disse Marcs. - Somos apenas dois amigos conversando. Mas, se me permite, tenho que pegar um avião. - Fez uma reverência a nós duas e saiu.
  Mamãe se aproximou de mim e estava prestes a falar alguma coisa, quando Rita entrou no quarto e começou a arrumar as roupas para dormirmos. Mamãe saiu e me senti mal pelo que viria no dia seguinte. Mais coisas ruins. Me vesti http://www.polyvore.com/hora_de_dormir/set?id=84012531 e fui na cozinha beber leite. Voltei para o quarto e dormi. Dormi com vontade de não acordar nunca mais. 
  No dia seguinte, levantei e fui para o Salão das Mulheres. Minhas familiares estavam contentes em me ver, menos minha avó. Ela simplesmente me ignorou. O café da manhã foi estranho, com todos me perguntando sobre os lugares que visitei e as mudanças no cabelo. 
  Levantei e fui ao meu quarto para tomar banho, mas fui impedida por mamãe, que entrou no quarto e trancou a porta.
 - Agora, vamos continuar o que comecei ontem. - disse ela. - Se acalme - Eu estava calma - não vou te machucar mais. Só quero conversar. Por que você fez essa coisa ridícula no cabelo? Por que viajou pelo mundo? Por que me desobedeceu? Sua maldita ingrata! Eu espero que você queime no fogo do inferno por toda a eternidade! Quem manda aqui sou eu! Você não tem o direito de me desobedecer!
 - Mas, e o papai? - perguntei com ceticismo. - Você não vai falar nada sobre ter mandado matá-lo? Eu sei de tudo, encontrei com ele em uma das viagens! Você não presta! Como foi capaz de fazer uma coisa dessas?! Sua... sua... maldita! 
  Nesse momento não me aguentei e me joguei em cima dela. Minhas mãos foram direto em seu cabelo, sem me importar com a falta de respeito. Afinal, ela era minha mãe. Caímos as duas no chão e começamos a nos debater no carpete fofinho. Puxei seus cabelos e ela me deu um tapa no rosto. Arranhei sua bochecha e dei um soco em seu estômago. Levantei e saí correndo, mas ela me alcançou e me puxou de volta para o quarto. Me deu um tapa super forte que fez com que eu caísse e não tivesse mais forças para me levantar.
 - Como ousas? - Ela estava com a respiração acelerada e parecia louca com o cabelo todo bagunçado e a postura errada. - Por isso, a senhorita vai ficar de castigo até seus 18 anos. Com 18 anos a senhorita vai embora desse castelo e não voltará aqui nunca mais! Enquanto isso, fique aqui, neste aposento, trancada! E nunca mais vai sair daqui! - Ela saiu batendo os pés e trancou a porta.
  Não pude evitar as lágrimas e a raiva que me dominavam. Precisava falar com alguém. Precisava de Louis. Precisava de seu amor, seu carinho, seu corpo, seu jeito. Precisava dele!
Me joguei na cama e entrei debaixo das cobertas. Fiquei o dia todo deitada, trancada. E os dias seguintes também foram assim. Sete meses se passaram e eu ainda não tinha notícias de Louis, de nenhum dos meus amigos. Ainda estava trancada naquele quarto e ninguém (além de Rita) tinha permissão para me visitar. De vez em quando minha mãe entrava no quarto para saber se eu realmente estava lá. Já estava ficando angustiada de ficar naquele quarto. Nunca mais usei roupas de princesa, até porque não saí do quarto. Minhas refeições eram controladas e não podia mais acessar a internet. Não saí do quarto. Isso acabou comigo. O que aconteceria comigo nesses anos?