Believe It
Capítulo 22:
As pessoas me olhavam confusas enquanto minha mãe se fazia de desentendida. Eu não estava tão diferente assim.
- Quem deu permissão para essa garota subir no palanque? - gritou minha mãe para um dos seguranças.
- Mãe! Sou eu, Katherine. Olha aqui. - Mostrei minha mancha de nascença em formato de uma fatia de pizza. - Posso ter mudado o cabelo, mas ainda sou eu.
- Filha! - Minha mãe me abraçou bem forte e então sussurrou em meu ouvido: - Onde você estava? Idiota! Eu vou acabar com você! Apenas espere.
Descemos do palanque e nossos súditos nos aplaudiram. Os paparazzi tiraram muitas fotos e me encheram de perguntas que não fui capaz de entender direito, então continuei subindo com minha mãe.
Ela me arrastou pelos corredores e me levou para seu quarto. Me jogou em sua cama e abriu um armário grande, logo em seguida um pequeno dentro dele. Ela não disse uma palavra e eu também não falei nada. Já sabia o que aconteceria. Já sabia que minha punição seria dada. Apenas aceitei. Mamãe pegou uma caixa de tamanho médio e tirou a tampa, revelando algumas armas, inclusive armas de fogo. Pegou uma espécie de cinto, um pouco mais grosso, preto e vermelho. Parecia ser de couro, o que tornaria os golpes piores.
- Consegue ver isso? - ela perguntou.
- Sim. É meu punimento. - eu disse, sem demonstrar todo o medo que estava sentindo.
- E você aceita bem? Parabéns, evoluiu bastante. - disse ela com desdém, batendo o cinto na mão para testar e fazendo uma careta de dor.
Continuei sentada na cama. Ela testou o cinto mais algumas vezes e então foi ao meu lado, abriu meu vestido e me deu a primeira cintada. Doeu bastante, mas então veio outra, e mais outra, e mais uma, até que viraram muitas e eu já não sentia mais dor. Minha pele se acostumou com a dor e não reclamei nenhuma vez. Senti as lágrimas escorrendo por meu rosto e enxuguei-as.
Mamãe parou e guardou o cinto, a caixa e fechou os armários. Me olhou dos pés à cabeça e então se encostou na parede. Vesti meu vestido novamente e senti mais lágrimas escorrerem. Ela continuou me olhando por mais um tempo antes de falar. Sua voz estava me corroendo. Aquela maldita voz.
- Feliz Natal, Katherine. Parabéns, filha. Você conseguiu a liberdade que queria. Mas agora chega! - ela gritou a última frase.
- Eu só quis saber como era ser feliz...
- Você é idiota? Qual o seu problema, vadia?! - A voz dela me irritou tanto que fui obrigada a responder.
- Pelo que eu saiba, não sou a vadia dessa história. Não fui eu que mandei matar o pai da minha filha... - Deixei a frase no ar e saí do quarto.
Corri para meu quarto morrendo de dores e Rita estava lá. Pedi para que ela fizesse alguns curativos em minhas costas que estavam sangrando. Troquei de roupa http://www.polyvore.com/selena/set?id=89482571 e me dirigi ao Salão Principal. As pessoas ainda estavam lá e os paparazzi também. Pelo que eu estava vendo era um evento. As mesas estavam cheias de comida e bebidas. Haviam várias pessoas lá, mas nenhuma com aparência de pobre. Todas deviam ser da alta sociedade.
Algumas pessoas me fizeram perguntas sobre onde eu estava, o que eu havia feito, mas não respondi a nenhuma delas. Estava morrendo de dores e quase não aguentava andar. Me lembrei de Louis e me emocionei, mas não chorei. Lutei para não chorar, colocando um canapé inteiro na boca. Uma música lenta começou a tocar e as pessoas começaram a dançar. Andei pelo Salão sem me preocupar muito em esbarrar nas pessoas. Estava tudo tão diferente. Então trombei com um rapaz alto, loiro, com costas largas e ombros musculosos. O rapaz se virou e sorriu para mim. Marcs me abraçou bem apertado, me fazendo gemer de dor por causa das costas machucadas.
- Como eu senti sua falta! - esbravejou ele, me soltando e olhando no fundo dos meus olhos. - Te machuquei?
- Você não, mas, você sabe, já recebi parte da minha punição. - disse eu tentando não chorar de dor e lamentação.
- Eu não entendi, como assim?
- Vem cá. -
Conduzi Marcs pelo Salão e subimos as escadas. Caminhamos o longo corredor e entramos em meu quarto. Ele se sentou em minha cama e contei tudo que aconteceu no quarto da minha mãe. Contei também sobre meu pai e sobre meu namoro com Louis. Ele parecia feliz por mim. Era bom ter alguém para conversar. Ficamos boas horas conversando sobre mim e resolvi que era hora de falarmos sobre outras coisas.
Marcs estava no castelo porque firmou um contrato entre seu reino e o meu. Ele mal tinha atingido a maioridade e já estava tomando decisões importantes em nome de seu pai. Summer estava de casamento marcada com um príncipe de um reino asiático. Millena foi demitida porque foi pega por mamãe roubando um garfo da prataria. Bertran morreu quando rolou escada abaixo. E assim foi nossa conversa.
Mamãe entrou no quarto e se assustou quando viu Marcs deitado ao meu lado na cama, rindo como uma criança.
- Que pouca vergonha é essa? - gritou ela.
- Não é pouca vergonha, rainha. - disse Marcs. - Somos apenas dois amigos conversando. Mas, se me permite, tenho que pegar um avião. - Fez uma reverência a nós duas e saiu.
Mamãe se aproximou de mim e estava prestes a falar alguma coisa, quando Rita entrou no quarto e começou a arrumar as roupas para dormirmos. Mamãe saiu e me senti mal pelo que viria no dia seguinte. Mais coisas ruins. Me vesti http://www.polyvore.com/hora_de_dormir/set?id=84012531 e fui na cozinha beber leite. Voltei para o quarto e dormi. Dormi com vontade de não acordar nunca mais.
No dia seguinte, levantei e fui para o Salão das Mulheres. Minhas familiares estavam contentes em me ver, menos minha avó. Ela simplesmente me ignorou. O café da manhã foi estranho, com todos me perguntando sobre os lugares que visitei e as mudanças no cabelo.
Levantei e fui ao meu quarto para tomar banho, mas fui impedida por mamãe, que entrou no quarto e trancou a porta.
- Agora, vamos continuar o que comecei ontem. - disse ela. - Se acalme - Eu estava calma - não vou te machucar mais. Só quero conversar. Por que você fez essa coisa ridícula no cabelo? Por que viajou pelo mundo? Por que me desobedeceu? Sua maldita ingrata! Eu espero que você queime no fogo do inferno por toda a eternidade! Quem manda aqui sou eu! Você não tem o direito de me desobedecer!
- Mas, e o papai? - perguntei com ceticismo. - Você não vai falar nada sobre ter mandado matá-lo? Eu sei de tudo, encontrei com ele em uma das viagens! Você não presta! Como foi capaz de fazer uma coisa dessas?! Sua... sua... maldita!
Nesse momento não me aguentei e me joguei em cima dela. Minhas mãos foram direto em seu cabelo, sem me importar com a falta de respeito. Afinal, ela era minha mãe. Caímos as duas no chão e começamos a nos debater no carpete fofinho. Puxei seus cabelos e ela me deu um tapa no rosto. Arranhei sua bochecha e dei um soco em seu estômago. Levantei e saí correndo, mas ela me alcançou e me puxou de volta para o quarto. Me deu um tapa super forte que fez com que eu caísse e não tivesse mais forças para me levantar.
- Como ousas? - Ela estava com a respiração acelerada e parecia louca com o cabelo todo bagunçado e a postura errada. - Por isso, a senhorita vai ficar de castigo até seus 18 anos. Com 18 anos a senhorita vai embora desse castelo e não voltará aqui nunca mais! Enquanto isso, fique aqui, neste aposento, trancada! E nunca mais vai sair daqui! - Ela saiu batendo os pés e trancou a porta.
Não pude evitar as lágrimas e a raiva que me dominavam. Precisava falar com alguém. Precisava de Louis. Precisava de seu amor, seu carinho, seu corpo, seu jeito. Precisava dele!
Me joguei na cama e entrei debaixo das cobertas. Fiquei o dia todo deitada, trancada. E os dias seguintes também foram assim. Sete meses se passaram e eu ainda não tinha notícias de Louis, de nenhum dos meus amigos. Ainda estava trancada naquele quarto e ninguém (além de Rita) tinha permissão para me visitar. De vez em quando minha mãe entrava no quarto para saber se eu realmente estava lá. Já estava ficando angustiada de ficar naquele quarto. Nunca mais usei roupas de princesa, até porque não saí do quarto. Minhas refeições eram controladas e não podia mais acessar a internet. Não saí do quarto. Isso acabou comigo. O que aconteceria comigo nesses anos?

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