Believe It
Capítulo 17:
Não conseguia dizer nada além de "Pai!". O choque de ver meu pai vivo foi enorme, principalmente porque eu não era a única que via. Louis também o via, o que provava que eu não tinha problemas mentais e não precisava ser internada. A pior parte de tudo isso é que alguém estava mentindo pra mim, minha mãe ou meu pai. Mas, quem?
A mulher se levantou, deu um tapa forte (do meu ponto de vista) na bunda do meu pai e saiu bufando. Louis se sentou na cama e esperou para ver a cena.
- O que aconteceu? - perguntei para meu pai - Por que você me deixou sob os cuidados daquela cretina? Por que você fez isso comigo? - Dava pra notar a raiva em minha voz. Comecei a empurrar meu pai, falta de respeito, mas a raiva tomou conta de mim - Por culpa sua eu sofri por 15 anos! 15 ANOS! Apanhando das duas cretinas da casa! Sendo privada de ter uma vida normal, por mais que ser princesa não seja uma coisa normal, mas eu podia ter tido amigos, momentos, um namorado, ter ido ao cinema! Coisas normais, que eu nunca presenciei, até dois meses atrás! É tudo culpa sua! Seu... seu... Baixo! Sem caráter!
Me joguei na cama, ao lado de Louis, e ele me puxou para mais perto. Começou a acariciar meus ombros e a passar as mãos pelo meu cabelo. Eu chorava e gritava, de raiva. Louis não disse nada, mas nem precisava. O simples fato de eu estar no colo dele, sendo acariciada por ele, sentindo suas mãos em mim, seu cheiro, já me fez esquecer do problema principal daquela sala. Por um minuto.
- É isso que você acha de mim, filha? - perguntou meu pai, cético. - Acho que você só pensa assim porque não sabe o que realmente aconteceu. E presumo que não queira, então, com licença, mas preciso limpar este quarto. - disse, apontando para a porta aberta.
- O quê? - perguntei enfurecida - Você fica longe da minha vida por 15 anos e, quando eu finalmente descubro que você é um safado que abandonou minha mãe, por mais chata que ela seja, e me abandonou sob maus tratos, e você ainda tem a cara-de-pau de me mandar ir embora do quarto de hotel que eu fiquei hospedada? Sendo que eu só vim aqui pegar minha mala de sapatos...
Ele andou em minha direção e me levantou pelos braços, me apertando com força e me sacudindo.
- Eu não vivi todo esse tempo pra uma CRIANÇA - botou bastante ênfase na palavra "criança" - começar a me xingar sem nem saber a verdade! - Suas palavras viraram gritos - Então, vá embora daqui, criança mal criada! - Ele me jogou na cama.
- Não faz isso com ela, vagabundo! - gritou Louis, partindo pra cima do meu pai. - Você vai se arrepender por todo o mal que fez pra ela e principalmente por essas palavras de agora! Ela não é mais uma criança, já é uma mulher!
Nesse momento, o primeiro soco foi dado, por Louis. A cabeça de meu pai estava virada e já saía sangue de seu nariz. Um outro soco foi dado e mais sangue jorrou. Comecei a gritar desesperada:
- Parem! Parem! Pelo amor de Deus, Louis! Você já brigou com o Marcs, não brigue com ele!
- Não! - disse ele - Ele não vai sair dessa sem o nariz quebrado!
- Por mais que ele tenha feito mal pra mim, ele é meu... pai!
Me joguei em cima dos dois e tentei separá-los. Só consegui quando levei um soco na boca e comecei a sangrar.
Minutos depois, estávamos sentados na cama, eu com gelo na boca, meu pai com gelo no nariz. Louis ficou se desculpando pelo soco, mas fiquei repetindo "Não tem problema, acidentes acontecem!" e ele se sentia muito culpado. Me virei e dei um beijo em seu rosto, comprovando que não estava chateada ou furiosa. Depois que o nariz do meu pai parou de sangrar, ele suspirou bem fundo e disse:
- Filha, você cresceu bastante, já é uma moça...
- Hmmm - respondi, torcendo para que minha boca parasse de sangrar para ir logo para o aeroporto.
- Quer saber o que realmente aconteceu? - ele perguntou e eu assenti com um brilho nos olhos. - Bem, vou tentar resumir. Me lembro de estar passando pelo corredor com você e sua mãe. Eu tinha acabado de descobrir que ela me traía com um dos soldados do palácio, mas estava esperando você dormir para podermos discutir isso. Estávamos quase em nosso quarto, que você deve conhecer como aposento, e alguns caras entraram pela janela, escorregando em cordas. Te tomaram de meus braços e me levaram junto com eles. No esconderijo que fiquei preso, me disseram que por ordem da rainha, eu seria morto. Ela havia descoberto que eu sabia de sua traição e os contratou para me matarem. Como eu era muito inteligente na época, consegui escapar. Mudei de nome, país, aproveitei que sabia falar várias línguas e viajei pelo mundo com o dinheiro que sua mãe pagou para os bandidos. No fim, deixei a barba crescer para não ser reconhecido, comprei uma casinha simples aqui no Rio e comecei a trabalhar como ajudante geral nesse hotel. Uma vida simples, mas muito legal. Eu amo viver aqui e amo uma moça, aquela que estava comigo. Vamos nos casar em breve.
Demorei alguns segundos para absorver todas as informações. Que minha mãe era má eu sabia, mas não fazia ideia de que ela era uma piranha, que traiu meu pai e o mandou matar. E, ainda por cima, conseguia atuar muito bem, me convenceu, e a todos, de que meu pai realmente foi morto na nossa frente. O que fazia uma pessoa tão cruel a esse ponto?
Louis percebeu que eu não estava passando bem e me abraçou. Meu pai ficou com os olhos vidrados nos meus, e fiz o mesmo com ele. Depois de algum tempo, consegui me soltar dos braços de Louis e falar alguma coisa.
- Então, minha mãe é um monstro...
- Você precisava saber, filha. - disse ele, passando a mão no meu ombro.
- Mas, por que ela mandou te matar? Simplesmente pra você não se separar? Ela conseguiria um bom salário como prostituta! - Eu dava chutes no ar de raiva.
- Eu presumo que ela tenha feito isso pra poder governar o reino. - disse meu pai.
- Uaaau. - disse Louis. - Essa história parece de filmes de drama. Sei que não é o momento, mas preciso interromper o momento da verdade. Precisamos pegar um avião, Kath. E o taxímetro tá rodando. Pega sua mala de sapatos e vamos...
- A gente se vê algum dia desses, pai? É que eu tenho mesmo que ir...
- Claro que sim, filha! Promete que vai vir o mais rápido possível?
- Prometo. - Abracei meu pai e Louis me pegou às pressas.
Corremos pelo hotel e entramos no táxi. O taxista reclamou da demora, mas nem nos importamos. Louis e eu estávamos no banco de trás, eu no colo dele, chorando de emoção, tristeza, raiva, tudo junto; ele me acariciando. Fiquei preocupada com o horário do voo. Chegamos no aeroporto, pagamos, e encontramos nossos amigos nos esperando, inquietos.
- Achei que vocês tinham morrido. - disse Dinah. - Pelo amor de Deus, não dava pra atender o celular?
- Austin estava pensando no pior. - disse Harry - Acho que todos nós estávamos, mas, sei lá, eu achei que vocês tivessem parado pra fazer outra coisa.
- Harry! - disse Ally. - A Kath é tão inocente que nem faz ideia do que você tá falando. - Inocente? Eu? - Por que não ligaram? Fiquei preocupada!
- Ela já tava rezando. - disse Liam. - E até postou no Twitter que você e o Louis tinham sumido, Kath. Mas, que bom que voltaram. Vamos, o avião sai em meia hora.
Chegamos em Londres totalmente cansados. Fiquei hospedada na casa de Louis, já que ajudaria na festa e não queria pagar hotel porque meu dinheiro já estava no fim. Me joguei na cama do quarto de hóspedes e torci para conseguir dormir bastante.
Fui acordada por algumas conversas. Me levantei e notei que tinha colocado um pijama um pouco inapropriado para se usar na frente de um garoto/homem http://www.polyvore.com/kath_acordando/set?id=97426933 mas não me importei com Louis, afinal, ele já me viu daquele jeito algumas (muitas) vezes.
Desci as escadas lentamente e percebi que a voz diferente que tinha ouvido era feminina. Pensei que fosse uma das irmãs de Louis, ou até mesmo sua mãe, mas quando entrei na cozinha meu sangue congelou de nervosismo. Eleanor estava sentada na mesa da cozinha, com um mini short e uma camiseta beeeeeem decotada. Era Londres, dezembro, não tinha ar-condicionado na casa, qual o motivo de ela estar apenas com aquelas duas peças de roupa? Fiquei com vergonha de falar com eles naquele momento e estava voltando para o quarto, mas Louis me chamou e fui obrigada a fazer cara de alegre.
- Katherine, essa é a Eleanor, mas você já sabia. Els, essa é a Kath. Ela virou minha melhor amiga, Els. Não sei como, já que eu sou muito legal e ela muito chata. - Nós três rimos, mas dava pra notar que eu e Eleanor ríamos forçadas. Ela olhava para mim como se quisesse me matar. - E, sim, ela sabe que nosso namoro não é de verdade. Ela sabe que é mídia por causa dos boatos sobre "Larry".
- Prazer. - disse eu educadamente, já que eu tinha pelo menos um pingo de educação.
- Hmm. - Ela apenas fez esse som e foi para a sala de estar.
- Louis - disse eu - , eu quero saber onde fica o banheiro. Quero tomar banho.
- Vem comigo!
Louis me guiou até um banheiro no andar térreo e depois me levou ao andar de cima, para mostrar outro banheiro, Optei por usar o de cima, já que era no mesmo andar do meu quarto, Era bem melhor do que subir as escadas seminua e ter que exibir minhas pernas lindas para Eleanor. Tomei banho, me arrumei de um jeito bem bonito (já que iria sair para arrumar as coisas para a festa) http://www.polyvore.com/leehmoga/set?id=86887354 e desci. Eleanor e Louis estavam assistindo TV. Ver a cena dos dois sentados no mesmo sofá me deu nojo e perdi a fome. Por mais idiota que parecesse, eu sentia ciúmes dos dois juntos. Mesmo com Louis provando que não queria nada com ela e que era praticamente impossível os dois ficarem juntos de verdade. Mesmo ele me provando que nunca tinha a beijado com sentimento, que nunca tinha tocado nela, nunca tinha transado com ela. Eu ainda me sentia mal por ver aquela cena.
Eles não haviam notado minha presença então tratei de me endireitar, tomar cuidado para não cair na escada (o salto era alto) e me esforcei bastante para não soltar um grunhido de nojo/ódio. Parei na frente dos dois e eles me encararam com uma cara feia.
- Vou comprar as coisas pra sua festa, Boo. - disse eu, tentando não parecer idiota. - Eu sei que seu aniversário já é amanhã, mas eu queria muito fazer uma festa demais e vou conseguir!
- Ok. - disse Louis. - Quer que eu vá junto? Se quiser, eu me arrumo bem rápido e nós vamos.
- Não precisa! - disse Eleanor, interrompendo até mesmo meus pensamentos. - Eu vou com ela, né, Kátia? - Vaca. Queria ter força pra dar um tapa na cara daquela vagabunda.
- Na verdade, é Kath. - eu disse, tentando manter a calma. - Mas, como nos conhecemos agora, é Katherine pra você, queridinha. - Dei um sorriso sarcástico. - Mas, se quiser me acompanhar, siga-me.
Abri a porta e andei, sei nem prestar atenção se Eleanor estava me acompanhando ou não. Chegando na esquina, parei um pouco, tinha andado muito rápido e não era fácil se achar. Nesse momento, percebi que ela estava me acompanhando.
- O que foi? - perguntou ela sarcasticamente. - Seus saltos não aguentaram tanto peso e seus pés começaram a doer? - Sorriu. Mais uma vez, vaca.
- Não, só estava me recuperando do susto que levei quando vi sua cara de buceta mal lavada. - Sorri, mas me arrependi totalmente daquelas palavras.
- Escuta aqui, queridinha. - Ela estava apontando o dedo pra mim, a coisa ia ficar feia se eu não me controlasse. - O Louis tá comigo! Eu sei que é só mídia, mas, mesmo assim, ele vai ser meu e de mais ninguém. Até parece que ele ia desperdiçar uma mulher como eu pra ficar com uma criança feito você. Se enxerga, lacraia de 15 anos.
- Legal você ter dito isso, já acabou? Tô indo organizar a festa do Louis. Se você não vai me ajudar, volta pra casa dele e tenta conquistar alguém que NUNCA vai ser seu.
Andei rápido até a confeitaria e quando entrei, olhei para me certificar de que aquela vadia não estava atrás de mim. Pelo jeito ela pensou no que eu disse. Merda! E se ela conseguir mesmo conquistar o cara por quem eu estou apaixonada?

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